Análise ao filme “F1” de Joseph Kosinski

Escrito por Pedro
19 de Setembro, 2025

O novo filme “F1”, realizado por Joseph Kosinski (o mesmo génio de “Top Gun: Maverick”), leva-nos numa viagem brutal pelo mundo da Fórmula 1, com Brad Pitt a vestir a pele de Sonny Hayes – um ex-piloto lendário que regressa à competição depois de décadas afastado das pistas. O que começa por parecer uma história de redenção, rapidamente se transforma numa aventura cheia de adrenalina, drama e bastidores “à séria”. A APXGP, equipa fictícia do filme, está à rasca: não ganha um ponto há séculos e ameaça fechar portas. Sonny entra em cena, não só para salvar a equipa, mas também para servir de mentor a Joshua Pearce (Damson Idris), o jovem prodígio a precisar de uns conselhos à antiga.
Agora, o que há de realista? É impossível ignorar o lado mais autêntico do filme: foi gravado durante vários Grandes Prémios, com equipas e pilotos reais a aparecerem como coadjuvantes. A máquina do protagonista usa até um motor Mercedes-AMG genuíno, e o ambiente de paddock, boxes e briefing está mesmo fiel ao que vemos nos GPs. Vês ali os “stress” dos engenheiros, a tensão antes da largada, conversas técnicas e aquela azáfama de pneus e combustíveis que nem sempre chega aos filmes mais pop. O realizador quis mesmo que os fãs de F1 suspirassem de emoção – e consegue.
Do lado ficcional, há alguma dança criativa: a personagem de Pitt regressa depois de um acidente nos anos 90 (e, sinceramente, era difícil alguém aguentar tanto tempo e voltar a competir ao mais alto nível), a APXGP como equipa feita de underdogs e a sua possível falência são perfeitos para dar drama à história. O arco do mentor/aluno, com Sonny a não só orientar o jovem, mas a enfrentar os próprios demónios (vício, casamentos falhados, dívidas), aproxima o filme aos clássicos desportivos – sempre nos limites da realidade. Há sequências épicas de corridas com câmaras IMAX e Dolby Atmos que colocam o público literalmente no cockpit – aqui, sim, há um pouco de ficção: ultrapassagens “hollywoodescas”, rivalidades intensificadas e acidentes que desafiam um bocadinho as leis da física.
Curiosamente, o filme junta mesmo algumas lendas da modalidade: Lewis Hamilton não só aparece, como está envolvido na produção, e há cameos de outros pilotos (vê-se que o camarada Kosinski não quis só fingir o ambiente!). O orçamento – uns absurdos 200 milhões de dólares – permitiu filmagens em Silverstone, Hungaroring e outros circuitos verdadeiros, com o público real a fazer de figurante em algumas cenas chave. A banda sonora, assinada por Hans Zimmer, é tão intensa como um arranque em Monza.
As críticas? Maioritariamente positivas: 83% no Rotten Tomatoes, com elogios à vibe vintage, aos diálogos descontraídos e ao magnetismo de Pitt. A mistura entre real e ficcional é bem equilibrada, sem cair em clichés ou exageros melodramáticos. Isto é: quem gosta da velocidade pura, dos dramas de garagem e do cheiro a borracha queimada, vai adorar.
Basicamente, “F1” consegue aquilo que poucos filmes de desporto conseguem: ser fiel à modalidade, aproveitar a ficção para cativar quem não percebe nada de corridas e ainda entregar duas horas e meia de emoção (e algum humor típico das boxes). Vai ser difícil outra obra bater esta vibe nos próximos anos – e, sinceramente, já merecíamos uma homenagem destas a este tipo de modalidade.