Google e e-readers: por que é que ainda não apareceu?

Escrito por Pedro
11 de Outubro, 2025

No mundo dos gadgets, pode parecer estranho que a Google, uma gigante que domina tantas áreas, ainda não tenha lançado um e-reader dedicado, apesar de vender milhares de livros em formato digital e ser sinónimo de conteúdo online com a Google Play Livros. Afinal, com tantos dispositivos Android por aí, porque não um gadget à séria para quem adora ler, à moda antiga, mas no digital?
A verdade é que hoje em dia quase toda a gente lê nos smartphones. E convenhamos, para ler no metro ou na fila do café, um telemóvel serve perfeitamente. Mas, para os verdadeiros fãs da leitura, há uma grande diferença entre isso e uma experiência de leitura no e-ink, daqueles paus de papel eletrónico tipo Kindle, Kobo ou até o Remarkable (que é um bicho diferente, mais para tomar notas, mas que também lê livros). O e-ink não cansa os olhos, tem grande autonomia e parece mesmo que estamos a ler num livro real.
Então, qual tem sido o problema da Google? Uma das razões mais prováveis é que o mercado de e-readers é relativamente nicho, apesar de apaixonado. A Google nunca foi muito boa a fazer hardware para nichos — prefiram focar-se em software, serviços, e aparelhos com múltiplas funções, que vendem em grandes quantidades. Além disso, a concorrência está bem instalada: Amazon com o Kindle faz figura de peso, Kobo tem a sua legião de fãs e mesmo o Remarkable se destaca num segmento mais premium.
Outro fator pode ser o ecossistema. A Google já vende eBooks ao estilo “biblioteca digital”, mas não tem um aparelho próprio para oferecer uma experiência completa e integrada. Criar um e-reader implica apostar num design simples, uma autonomia brutal, um ecrã que não canse os olhos e uma loja gigante e com conteúdos variados. Parece que para já preferem apostar noutras áreas, como os tablets, celulares, e serviços na cloud.
No entanto, não se pode descartar a possibilidade da Google entrar neste mercado. A tecnologia de e-ink está a avançar, acaba de surgir ecrã a cores, e a IA começa a modular a experiência de leitura com resumos e recomendações inteligentes, algo que encaixa muito no universo Google Gemini. Só falta talvez uma aposta mais decidida para oferecer este dispositivo “à Google”.
No fundo, para quem lê muito, especialmente longas horas, nada substitui um e-reader dedicado. Já para leitores casuais, o telemóvel serve, e muito bem, para o consumo rápido. Mas para os leitores de verdade, um bom e-reader traz aquele conforto que nenhum outro dispositivo pode oferecer, tornando a leitura digital mais parecida com o livro em papel. A dúvida é: quando é que a Google vai acordar para isto e lançar um produto que possa competir de igual para igual no mercado do papel digital?
Até lá, vamos continuando a ver as novidades dos Kindle e Kobo, e a sonhar com um dia ter um e-reader “Google style” que seja tão prático e inteligente como o resto das soluções da marca.