Adeus a The Sims Mobile: A história e o impacto de uma geração de jogadores

Pedro

Escrito por Pedro

21 de Outubro, 2025

The Sims Mobile encerramento

A EA anunciou oficialmente que vai desligar o jogo The Sims Mobile no dia 20 de janeiro, marcando o fim de uma era que começou em março de 2018. Ou seja, quase oito anos depois, o título que tentou levar a vida dos Sims para o ecrã do telemóvel vai finalmente dizer adeus. A última atualização já saiu e, a partir de 21 de outubro, o jogo será retirado das lojas de apps. Como tudo dependia de servidores online — onde o progresso dos jogadores era guardado —, daqui a uns meses deixa de haver forma de o jogar.

Num comunicado, a EA deixou umas palavras que misturam nostalgia com gratidão: “A comunidade de The Sims Mobile está cheia de criatividade, gentileza e imaginação. Ficámos maravilhados com as vossas histórias, construções e Sims. Tivemos orgulho em partilhar esta jornada convosco.” E, como forma de agradecimento, a empresa preparou alguns “presentes” finais para os jogadores nesta reta final.

Durante os próximos meses, o jogo vai ter 14 eventos especiais, incluindo caças ao tesouro e missões de tempo limitado. Já não será possível gastar dinheiro real — o que, sinceramente, até soa a boa notícia —, mas ainda dá para usar as moedas e recursos que já tinhas no jogo. E há mais: a EA decidiu desbloquear energia ilimitada, o que facilita os últimos retoques nos projetos que ficaram a meio.

No dia 6 de janeiro, todos os itens do Modo Construção e do Criar um Sim vão ser desbloqueados. É basicamente o derradeiro presente: duas semanas para deixares a tua casa (e o teu Sim) perfeitos antes de o “ceifeiro” chegar e encerrar definitivamente o jogo.

Para quem viveu a febre de The Sims Mobile quando foi lançado, é impossível não sentir um toque de saudade. O jogo foi uma tentativa da EA e da Maxis de modernizar a experiência dos Sims e adaptá-la ao ritmo do dia a dia — onde tudo cabe no bolso. E, de certa forma, conseguiu cativar uma geração que cresceu com The Sims 2 e The Sims 3, mas que já passava grande parte do tempo no smartphone.

O The Sims Mobile não era apenas uma cópia simplificada do jogo de PC. Trouxe um grafismo bastante polido para a altura e apostou numa jogabilidade mais social, com missões curtas, eventos e decorações personalizáveis. Muitos jogadores adoravam o facto de poderem visitar “casas” uns dos outros e mostrar as suas criações.

Mas também foi um jogo que dividiu opiniões. Havia quem se frustrasse com o sistema de energia e as limitações que obrigavam a esperar horas para concluir ações. E claro, as microtransações — o eterno dilema dos jogos mobile — sempre foram um tema quente. Ainda assim, o jogo manteve uma comunidade ativa e criativa durante anos, especialmente entre jogadores que gostavam de construir e contar histórias dentro do universo Sims.

O encerramento de The Sims Mobile chega em paralelo com o desenvolvimento do tal Project Rene, que a EA e a Maxis revelaram em 2022. Este novo título promete ser uma experiência multiplataforma, correndo tanto em PC como em dispositivos móveis. A ideia é que os jogadores possam alternar entre o computador e o telemóvel de forma fluida — algo que, honestamente, soa como o futuro lógico da série.

Isto explica também a decisão da EA de redirecionar os esforços para o Project Rene: o The Sims Mobile já cumpriu a sua missão. Foi o laboratório que experimentou o que funciona e o que não funciona num mundo em constante movimento.

Ainda assim, há uma ponta amarga nesta notícia. Muitos fãs investiram tempo (e dinheiro real) no jogo, e todo esse progresso vai desaparecer no ar. Esta situação reacende o debate sobre preservação de jogos digitais, especialmente num mundo onde títulos inteiros podem deixar de existir de um dia para o outro porque um servidor é desligado. E, no caso de The Sims, há um valor emocional ainda maior — a série sempre teve uma forte base de jogadores LGBTQ+, criativa e apaixonada. Para muitos, era um espaço seguro onde podiam expressar-se livremente, construir famílias diferentes e viver histórias à sua maneira.

Um símbolo de uma geração

O que The Sims Mobile representa vai muito além do simples jogo. É um pedaço de história da cultura mobile, que nasceu numa altura em que os jogos para telemóveis já estavam a tentar ser mais do que “casuais”. Foi o reflexo de uma geração habituada a jogar entre compromissos, no autocarro, antes de dormir — e que mesmo assim queria uma experiência completa, com liberdade e personalização.

Não é difícil encontrar nas redes sociais jogadores a partilhar capturas de ecrã das suas casas, dos seus Sims ou até dos casamentos que organizaram dentro da app. O jogo tornou-se parte do quotidiano de muita gente, uma extensão digital da criatividade e da vida real.

A verdade é que o The Sims Mobile mostrou o melhor e o pior do modelo freemium — a liberdade aparente de um jogo gratuito, mas com o risco de tudo depender de servidores. E agora, depois de quase oito anos, vemos o preço desse modelo: o desaparecimento completo de uma parte da história dos Sims.

O fim, mas não o adeus

Felizmente, o universo dos Sims continua vivo. A EA já deixou claro que ainda há muito por vir — e o Project Rene pode muito bem ser o futuro da franquia. Pelo que foi mostrado até agora, o objetivo é criar algo mais colaborativo, personalizável e sem as limitações antigas.

Mas, até lá, janeiro de 2026 será um mês de despedidas. Jogadores de todo o mundo vão aproveitar as últimas semanas para deixar as suas criações perfeitas, organizar festas e viver um pouco mais da vida virtual que tanto acompanhou os seus dias.

Se cresceste com The Sims, sabes que este ciclo de nascimento, vida e morte é quase simbólico — faz parte do próprio espírito do jogo. E tal como em qualquer despedida de Sim, talvez valha a pena deixar escapar um “Sul Sul!” (adeus, mas com estilo) enquanto a porta se fecha.

O The Sims Mobile pode estar a ir embora, mas a sua marca vai ficar gravada nos ecrãs — e nos corações — de uma geração inteira que aprendeu a construir, amar e viver… mesmo que fosse através de um toque num ecrã.

Autor

  • Amante de tecnologia no geral e de wearables. Viveu o melhor dos dois mundos, do analógico ao digital. A utilização da Apple mudou a sua perspectiva pela tecnologia contudo ainda vive em vários mundos, android, Apple, Windows e Linux.