DJI Romo: o aspirador robô com ADN de drone que promete revolucionar a limpeza doméstica

Pedro

Escrito por Pedro

24 de Outubro, 2025

DJI ROMO

A DJI — sim, a mesma empresa que domina o mercado dos drones — surpreendeu o mundo ao entrar num território inesperado: o das casas inteligentes. A marca anunciou o lançamento global da linha DJI Romo, um conjunto de aspiradores robôs com tecnologia importada diretamente do universo aéreo. E o vídeo “Make a Clean Sweep”, divulgado esta semana com data marcada para 28 de outubro de 2025, mostra claramente que a empresa quer transformar o ato de limpar em algo digno de ficção científica.​

A série Romo chega com três modelos principais: o Romo S, o Romo A e o topo de gama Romo P. Todos herdam a tecnologia de deteção e navegação omnidirecional usada nos drones DJI, agora adaptada para o chão da tua sala. A marca pegou nos sensores fisheye, nas câmaras de alta precisão e nos algoritmos de machine learning — e meteu‑os a trabalhar para aspirar pó, cabelos e migalhas com o mesmo cuidado que um drone tem ao desviar‑se de árvores e cabos elétricos.

O vídeo de teaser, curto mas eficaz, mostra flashes de superfícies limpas, jatos de luz azul e uma voz‑off que promete “limpeza inteligente para um novo mundo conectado”. No centro, o dispositivo Romo aparece como um objeto translúcido, quase futurista, a deslizar silenciosamente entre móveis. A estética segue a linha dos produtos mais recentes da DJI, com destaque para o design transparente do modelo Romo P, que deixa ver toda a engenharia interior — um toque que claramente se inspira no estilo de marcas como Nothing.

Mas o que realmente distingue o Romo dos outros robôs aspiradores é o cérebro que herdou dos drones. Todos os modelos incorporam um sistema de sensores binoculares e lasers de grande‑ângulo, capazes de reconhecer objetos de apenas 2 mm de espessura. Isto significa que consegue desviar‑se de fios elétricos, patas de cadeiras, brinquedos, meias e até aquelas terríveis “armadilhas” deixadas pelos donos de animais — tudo sem colidir. Usando uma combinação de câmaras, sensores LiDAR e uma base de dados treinada por IA, o Romo analisa o ambiente em tempo real e ajusta o percurso conforme a sujidade ou os obstáculos que encontra.

A autonomia é garantida por uma dock station multifunções que faz praticamente tudo: além de aspirar o depósito, lava as mopas, recarrega a bateria e renova a água — tudo em menos de duas horas e meia. No modelo Romo P, a base inclui ainda um esterilizador UV e pode armazenar pó durante até 200 dias sem manutenção manual. É o tipo de detalhe que coloca este produto à frente da maioria das opções do mercado. A potência de sucção também impressiona: 25 000 Pa, um valor recorde entre aspiradores automáticos atualmente comercializados — resultado de um novo motor com turbina metálica de nove lâminas e sistema de fluxo otimizado.

A funcionalidade de lavagem é outro ponto que vai dar que falar. Os modelos Romo usam um sistema de duas mopas giratórias que elevam automaticamente quando o robô deteta carpetes. E no Romo P, há dois reservatórios diferentes para soluções de limpeza: um antibacteriano e outro desengordurante, permitindo personalizar o tipo de lavagem para cada divisão — ideia perfeita para cozinhas e casas de banho. Ao entrar numa área mais suja, o robô ativa o modo “foco intensivo” e aumenta a sucção ou o tempo de passagem.

O design, minimalista mas imponente, oferece três estilos distintos. O Romo S apresenta‑se em branco clássico e opaco; o Romo A traz uma tampa superior transparente; e o Romo P é totalmente translúcido — tanto o robô como a base. É impossível não associar o visual ao universo high‑tech da DJI: tudo parece ter sido desenhado para mostrar o que há de mais avançado dentro.

A nível de software, o Romo aposta na aplicação DJI Home, a mesma usada para drones e câmaras Osmo. A app permite mapear toda a casa com precisão, controlar zonas específicas e até transformar o robô numa câmara de vigilância móvel, transmitindo vídeo em direto e áudio bidirecional. Também pode ser controlado por voz, via Alexa e Google Assistant, e funciona offline através de comandos locais — com toda a informação do mapa gravada localmente, em vez de depender da cloud, reforçando a privacidade.

Outra inovação que merece destaque é a capacidade de o Romo ajustar a velocidade e o ângulo de aproximação a diferentes tipos de sujidade. Por exemplo, quando passa sobre restos de ração de animais, abranda para evitar espalhar os grãos e aumenta a potência gradualmente para os aspirar sem ruído excessivo. Isto é possível graças a um chip de IA que calcula em tempo real o comportamento ideal para cada situação — algo inédito fora do ecossistema de drones.

No mercado global, o preço do Romo S e A será de cerca de 654 USD (aproximadamente 620 €), enquanto o Romo P custará 947 USD (cerca de 895 €). A DJI confirmou o lançamento global até ao final de 2025, começando pela China e expandindo para a Europa nos primeiros meses de 2026. Ainda não há data exata para a chegada a Portugal, mas a empresa já vende drones oficialmente no país e deve incluir o novo aspirador nas lojas online e nos parceiros de retalho habituais, como a FNAC e a Worten.

O nome “Make a Clean Sweep” usado no vídeo de anúncio combina perfeitamente com a promessa simbólica da marca: fazer uma “limpeza total”, tanto literal como de paradigma. A DJI quer varrer a concorrência — iRobot, Roborock, Shark e Xiaomi — e reposicionar‑se como uma referência também em tecnologia doméstica. A experiência que a empresa construiu com visão computacional e navegação autónoma dá‑lhe uma vantagem clara: os Romo são, essencialmente, drones que limpam o chão em vez de voar.

No final, o Romo representa o nascimento de uma nova categoria híbrida: um robô aspirador inteligente com ADN de drone. É o início de uma aposta ambiciosa da DJI no universo da smart home, e o teaser “Make a Clean Sweep” deixa a sensação de que este é apenas o primeiro passo. Se os drones já dominaram o céu, talvez esteja na hora de deixar os pisos brilharem também.

Autor

  • Amante de tecnologia no geral e de wearables. Viveu o melhor dos dois mundos, do analógico ao digital. A utilização da Apple mudou a sua perspectiva pela tecnologia contudo ainda vive em vários mundos, android, Apple, Windows e Linux.