Amazon corta 14 mil empregos e aposta tudo na inteligência artificial

Pedro

Escrito por Pedro

30 de Outubro, 2025

Amazon GO

A Amazon anunciou o corte de cerca de 14 mil postos de trabalho, somando-se a uma onda global de despedimentos que está a assolar o setor tecnológico em 2025 — um fenómeno fortemente ligado à ascensão da inteligência artificial e ao esforço das empresas para aumentar a eficiência e investir pesado em áreas de futuro.​

O que motiva este corte gigantesco na Amazon?

Segundo o comunicado oficial da diretiva da Amazon, o objetivo da empresa é “reduzir a burocracia, eliminar escalões e deslocar recursos para garantir que estamos a investir nas nossas maiores apostas e no que é mais importante para as necessidades atuais e futuras dos nossos clientes”. Andy Jassy, CEO, não escondeu que a nova vaga de cortes está diretamente relacionada com o aumento do investimento em ferramentas de inteligência artificial, que não só reduzem a necessidade de certos cargos, como exigem uma reestruturação profunda dos recursos humanos.​

A maioria dos funcionários afetados terá cerca de 90 dias para procurar novas funções internamente, sendo garantido apoio na transição, nomeadamente indemnização, formação e apoio na recolocação. A empresa não detalhou as equipas ou divisões mais afetadas, mas a imprensa internacional refere que as áreas de cloud, retalho, comunicações e dispositivos sofreram cortes significativos.​

O impacto da inteligência artificial e a tendência global

Estes cortes não são um caso isolado. Grandes tecnológicas como Microsoft, Intel, Meta e Google já reduziram milhares de postos de trabalho desde o início de 2025, com o setor global a registar mais de 120.000 despedimentos em mais de 200 empresas até outubro deste ano. Estatísticas apontam que, em 2024, houve cerca de 153.000 despedimentos e, em 2025, vários especialistas estimam que o número termine acima dos 235.000 só na área da tecnologia.​

Este ciclo de corte de custos está profundamente ligado à automação e à IA. Andy Jassy sublinhou em junho que ferramentas de inteligência artificial têm vindo a automatizar tarefas rotineiras e repetitivas, o que inevitavelmente leva à diminuição do número de colaboradores necessários para diversos processos. Estes avanços em automação estão a redefinir não apenas o setor fabril, mas também cargos de gestão e coordenação, que passam a ser cada vez mais substituídos por algoritmos capazes de planear, analisar e tomar decisões de forma rápida e precisa.​

Como está a reagir o mercado — e os trabalhadores?

Os despedimentos em massa da Amazon, que chega a cerca de 4% dos seus colaboradores brancos (white-collar), deixam claro que a empresa está a apostar numa reorganização profunda, cortando camadas hierárquicas e apostando na rapidez de execução. Cada vez mais os processos de tomada de decisão, análise de dados, gestão e previsão estão a migrar para sistemas de IA, reduzindo a dependência humana e exigindo novas competências dos trabalhadores para que se mantenham relevantes.​

Muito se tem falado na substituição de empregos fabris por robôs, mas a tendência recente é um corte mais intenso nos cargos administrativos, de gestão intermédia e coordenação. A era dos “mega layoffs” impulsionados por IA está a criar um cenário onde profissionais especializados precisam de requalificação contínua em áreas complementares à inteligência artificial, sob pena de ficarem vulneráveis perante o novo paradigma empresarial.​

Perspetivas, aposta futura e reação dos mercados

A Amazon, como todas as gigantes tecnológicas, está a canalizar cada vez mais recursos para sectores emergentes, como a cloud e a inteligência artificial, tentando acompanhar rivais como Microsoft e Google numa carreira tecnológica cada vez mais acelerada. O resultado é uma necessidade urgente de libertar capital e simplificar estruturas — razão principal para cortes tão massivos em poucos meses.​

Em contrapartida, as ações da Amazon subiram 1,2% após o anúncio dos despedimentos, motivadas por uma reação positiva dos mercados que veem nas medidas uma preparação para o futuro, mais enxuto e guiado por inteligência artificial. Até ao final do ano, estimam-se ainda mais despedimentos, com a empresa a alertar para novas vagas de cortes em 2026 e uma reestruturação que pode chegar até 30 mil postos de trabalho corporativos.​

O que esperar daqui para a frente?

Especialistas e analistas concordam que 2025 marca uma viragem decisiva na forma como as grandes empresas tecnológicas gerem os seus recursos humanos e planeiam a transição para a automação total em várias áreas-chave. Para os trabalhadores, o futuro passa por apostar fortemente em formação e adaptação constante às exigências tecnológicas, com competências em IA, automação, análise avançada de dados e gestão de processos digitais.​

A Amazon, como a segunda maior empregadora dos Estados Unidos, está a dar um sinal claro ao setor e à economia global: a próxima década do trabalho será marcada por menos cargos tradicionais, mais automação, reorganização estrutural e necessidade permanente de qualificação avançada — uma realidade que, de forma direta ou indireta, acabará por afetar todos os setores da sociedade.

Autor

  • Amante de tecnologia no geral e de wearables. Viveu o melhor dos dois mundos, do analógico ao digital. A utilização da Apple mudou a sua perspectiva pela tecnologia contudo ainda vive em vários mundos, android, Apple, Windows e Linux.