Conduzir em 2045: CEO da Uber prevê a era dos carros autónomos para todos

Escrito por Pedro
3 de Novembro, 2025

O CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, fez uma previsão ao Business Insider que está a dar que falar: dentro de 20 anos, conduzir um carro será tão “vintage” e exclusivo que vai parecer andar a cavalo – um hobby para apaixonados, não uma necessidade do dia-a-dia. Mas será mesmo assim? Bora mergulhar no futuro da mobilidade, entender se o volante vai mesmo acabar e descobrir quem são os vencedores (ou derrotados) desta revolução automóvel.
Condução: de hábito para passatempo
Khosrowshahi acredita que a condução privada vai desaparecer porque todas as estradas estarão tomadas por veículos autónomos. Segundo ele, com a tecnologia a evoluir e a segurança a crescer, a sociedade pode mesmo começar a questionar se faz sentido deixar humanos ao volante quando as máquinas conseguem fazer melhor. Com as empresas, governos e utilizadores cada vez mais atentos ao tema, a expectativa é que a condução comece a ser vista como um passatempo – tipo colecionismo, trackdays ou passeios de fim-de-semana. O “drive” para ir trabalhar ou fazer compras? Isso ficaria entregue aos robots.
Segurança: humanos vs máquinas
O debate sobre segurança é quente: Khosrowshahi admite que as máquinas têm de ser mais seguras do que os humanos – e que a sociedade não tolera o mesmo tipo de erros vinda da tecnologia. Por enquanto, qualquer acidente com um robotaxi vira notícia de primeira página, enquanto os erros humanos são encarados como parte do risco. O CEO da Uber diz mesmo que, com a maturidade dos sistemas autónomos, os humanos vão ser estatisticamente menos seguros do que os algoritmos. E deixa a pergunta polémica: “Devíamos permitir humanos a conduzir na via pública?”.
Tesla, Waymo e a corrida aos robotáxis
Se há nomes que dominam este futuro, são Tesla e Waymo. A Tesla aposta num modelo “super-exponencial”: quer robotáxis em circulação até 2028, usando apenas inteligência artificial e câmaras para conduzir, sem sensores extra nem mapas super detalhados. Argumenta que isto permite lançar o serviço mais depressa e mais barato. Já a Waymo segue por outro caminho, investindo em simulações, mapeamento rigoroso e redundância de sensores para garantir segurança máxima, ainda que só já cubra cerca de 3% dos EUA – mas com reputação de fiabilidade e confiança.
Para ambas, o verdadeiro trunfo é tornar os robôs-condutores mais seguros do que nós e arrancar com serviços em larga escala, seja em cidades como Austin ou Phoenix ou, no futuro, na Europa. Aliás, a Waymo já fala em trazer táxis autónomos para Lisboa ou outras capitais europeias — falta é legislação nacional para permitir testes em Portugal.
O declínio da propriedade do carro
Uma das grandes mudanças será no modelo clássico de propriedade automóvel. O CEO da Uber assume que, com veículos autónomos acessíveis, partilhados e baratos, ter um carro na garagem pode passar a ser a exceção. Já se começou a sentir o efeito do Uber, Bolt, FreeNow e outros, mas com robotáxis 24/7, a ideia de “dar à chave” torna-se quase obsoleta. Estima-se que, nos próximos 15 anos, só nos EUA os robotáxis saltarão de 1.500 para 35.000 unidades, transformando por completo as cidades, parques de estacionamento, infraestruturas e até o mercado imobiliário – menos carros, menos trânsito, mais espaço, outra logística. O impacto vai muito além do simples transporte.
E Portugal, onde entra nesta equação?
Por cá, continuamos a olhar para esta revolução de longe. A Tesla e a Waymo ainda não conseguem operar robotáxis em território nacional por falta de marco legal claro. Nem para testes são permitidos! Mas os especialistas garantem que a mudança é inevitável – é uma questão de tempo, adaptação legislativa e pressão internacional. Se na Califórnia os robotáxis já fazem milhares de quilómetros por semana sem intervenção humana, por cá só falta vontade política para alinhar com as capitais tecnológicas mundiais.
O novo papel das pessoas ao volante
Então, e quem gosta mesmo de conduzir? Nada indica que os verdadeiros entusiastas vão perder o direito ao volante! O que muda é que será cada vez mais regulado, provavelmente reservado a pistas, eventos e passeios organizados – tudo com normas de segurança e licenças específicas. A condução do dia-a-dia para trabalho, escola, supermercado ou viagens longas será deixada a robôs e apps: pede-se o carro, entra-se e pronto, sem stress. Para o comum dos mortais, será como andar a cavalo em vez de andar de bicicleta: um prazer, não uma necessidade.
Novos desafios e oportunidades
A revolução dos carros autónomos levanta outras questões: como ficam os empregos dos motoristas, taxistas, condutores profissionais? O CEO da Uber acredita que surgirão novas profissões ligadas à manutenção, programação e supervisão dos sistemas, mas que quem hoje depende do volante terá de se reinventar. A adaptação será gradual, e há dúvidas sobre acessibilidade, privacidade, cibersegurança e confiança nos sistemas autónomos. E nem tudo são rosas: os acidentes de robotáxis, como aqueles que envolveram modelos Tesla, mostram que tecnologia milagrosa não existe sem riscos – mais legislação, mais testes e supervisão serão essenciais.
O futuro do automóvel: hobby, necessidade ou relíquia?
A previsão de Khosrowshahi pode parecer radical, mas muitos especialistas concordam: a condução como conhecemos está a caminho de se tornar alternativa, não padrão. As gerações mais novas já preferem partilhar serviços em vez de comprar carros, e a resistência é maior nos países onde o automóvel ainda é símbolo de estatuto. Mas, uma coisa é certa: ninguém quer perder tempo preso ao trânsito ou ao volante sem necessidade. Se os robotáxis, as vans autónomas e o transporte partilhado forem mesmo seguros e baratos, ninguém se vai importar de trocar o carro próprio por uma app.
O futuro está mesmo aí à porta – e não admira nada se daqui a 20 anos estivermos todos a contar aos netos que “antigamente conduzia-se todos os dias”… E que, em breve, conduzir será mesmo só para quem gosta, tal qual andar a cavalo após a invenção do automóvel. Então… preparado para trocar o volante por um bilhete digital?