Frankenstein por Del Toro: o monstro gótico que fascina a geração tech bro

Pedro

Escrito por Pedro

7 de Novembro, 2025

Guillermo del Toro Frankenstein

Guillermo del Toro estreia na Netflix (e brevemente nos cinemas) a sua versão de Frankenstein — uma reinterpretação visual, social e emocional do clássico de Mary Shelley, ajustada ao século XXI e ao contexto “tech bro” da era IA. O filme chega já a Portugal a 7 de novembro (já hoje!), anunciado como uma das estreias mais aguardadas do ano.​

Da literatura a um filme para o século XXI

A história de Frankenstein nunca perdeu relevância — trata da ambição desmedida, da busca pela inovação sem olhar às consequências e do dilema ético de quem deseja “criar vida” apenas para provar o próprio génio. Del Toro transpõe esse mito para o presente, ligando Victor Frankenstein ao arquétipo dos grandes inovadores da tecnologia: homens como Zuckerberg, Musk ou Altman, para quem “it’s alive!” é grito da viralidade, muitas vezes indiferente ao impacto real das suas ações.​

No filme, Oscar Isaac assume o papel de Victor Frankenstein, um cientista brilhante, obcecado, mas egocêntrico. Jacob Elordi é a Criatura — mais humana do que o criador, com uma ingenuidade e uma brutalidade que promovem empatia (e horror). Mia Goth brilha como Elizabeth, personagem ligada ao destino de ambos, e o elenco ainda inclui nomes de peso como Christoph Waltz, Charles Dance e Lars Mikkelsen.

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Estilo del Toro: terror, opulência e crítica social

Visualmente, o filme vai na linha de Del Toro: fotografia sumptuosa, cenários góticos, cores vibrantes e uma atmosfera inquietante. Do opening explosivo — uma perseguição ártica sangrenta — à relação conturbada entre criador e criatura, tudo é marcado por tensão famíliar, horror e humanidade. O drama pessoal mistura-se com uma crítica atual ao mundo tecnológico, aos danos colaterais de uma obsessão pelo novo, e ao ciclo de abuso e desresponsabilização que atravessa gerações.​​

O Frankenstein de Del Toro no contexto atual

A versão do realizador não foge ao romance trágico mas atualiza-o para o mundo digital. Victor é apresentado como “tech bro” egocêntrico, sublinhando paralelos entre os perigos de criar vida artificial sem considerar impactos — seja um monstro ou uma IA alimentada por dados alheios. O monstro de Elordi é uma reflexão sobre o lado humano excluído: “Quem me trouxe ao mundo sem querer dar-me companhia nem afeto?”.

Del Toro faz questão de mostrar não só a destruição mas também o potencial de redenção — ao contrário do livro, o filme fecha com uma conclusão mais esperançosa, permitindo a Victor pedir perdão à criatura.​

Performances e produção

  • Oscar Isaac é considerado por muitos críticos como um dos melhores Victor Frankenstein de sempre: energético, intenso e perturbador.​
  • Jacob Elordi apresenta-se irreconhecível sob maquilhagem, construindo uma criatura inicialmente infantil, depois marcada pela dor e pelo desejo de ligação.
  • Mia Goth reforça o elenco, conferindo elegância e inquietação à dinâmica entre criador e criatura.
  • Os cenários foram gravados em Toronto e Edimburgo, aproveitando palácios, vielas sombrias e ambientes de horror clássico.
  • A banda sonora e os efeitos especiais seguem o tom gótico — para fãs de Del Toro, há ecos de “O Labirinto do Fauno”, “Hellboy” e “Crimson Peak”.

Data de estreia e disponibilidade em Portugal

  • Netflix Portugal: O filme chegou a 7 de novembro, em estreia mundial simultânea. Disponível em 4K, legendas PT-PT e áudio original.​
  • Cinemas: Lançamento limitado em Portugal, a 17 de outubro (algumas salas emblemáticas); grande parte do público verá a obra diretamente no streaming.​

Receção e impacto crítico

No Festival de Veneza, o filme gerou uma ovação de 13 minutos e pontuações elevadas nas reviews internacionais. É apontado como obra-prima do género gótico atual e já candidato a prémios de argumento, realização e elenco.​

Del Toro sublinha ainda o poder do cinema tradicional, rejeitando o uso de IA generativa para criar arte (“prefiro morrer”, disse”). O filme é uma crítica à obsessão contemporânea pela tecnologia, mas também um tributo à tradição e ao lado humano da criação artística.​

Autor

  • Amante de tecnologia no geral e de wearables. Viveu o melhor dos dois mundos, do analógico ao digital. A utilização da Apple mudou a sua perspectiva pela tecnologia contudo ainda vive em vários mundos, android, Apple, Windows e Linux.