Netflix ressuscita o encanto das salas históricas com “Jay Kelly” em 35mm

Pedro

Escrito por Pedro

7 de Novembro, 2025

Jay Kelly filme portugal

Netflix surpreendeu muita gente ao anunciar exibições globais do filme “Jay Kelly” em 35mm, celebrando aquela magia “old school” dos grandes ecrãs e trazendo de volta o ritual de ir ao cinema como nos velhos tempos. Bora falar deste fenómeno de forma descontraída, partindo do conceito de cinema histórico — e, claro, com um olhar especial para Portugal, onde salas lendárias também têm muitas histórias para contar!

O que é considerado um cinema histórico?

Quando falamos de cinema histórico, não estamos só a falar de filmes antigos ou clássicos. O termo “cinema histórico” pode referir-se a duas coisas: aos próprios edifícios emblemáticos onde se vêem filmes e àqueles filmes que reconstroem ou representam épocas passadas. Aqui vamos focar nos espaços!

Um cinema histórico é geralmente uma sala de exibição com relevância arquitetónica, social ou cultural, mantendo viva a tradição do cinema enquanto ritual coletivo. Normalmente, são edifícios com mais de meio século, marcados por eventos culturais importantes, projeções icónicas ou design arquitetónico único — aquela vibe “Época de Ouro” do cinema, com cortinas vermelhas, plateias enormes e fachadas ao estilo art déco ou modernista.​

Segundo critérios internacionais, para ser considerado “histórico” um cinema deve:

  • Ter sido construído há pelo menos 50-60 anos;
  • Ter servido como espaço central para a vida cultural da cidade;
  • Conservar traços originais na arquitetura, decoração e equipamentos (mobiliário vintage, projetores analógicos, etc.);
  • Ter acolhido estreias, festivais ou eventos marcantes.​

Exemplos de cinemas históricos — Portugal à lupa

Em Portugal, especialmente em Lisboa e Porto, há salas que fizeram (e fazem) parte do imaginário coletivo. Eis algumas das mais emblemáticas:

  • São Luiz Cine (Lisboa): Aberto em 1928, passou logo “Metropolis” com orquestra ao vivo. Atualmente responde pelo nome de Teatro São Luiz, mas é impossível ignorar o seu passado glorioso como sala de cinema de referência.​
  • Cinema Condes (Lisboa): Funcionou de 1916 até finais do século XX. Hoje é o famoso Hard Rock Café, mas a fachada original mantém o espírito do cinema.​
  • Éden-Teatro (Lisboa): Inaugurado em 1938 nos Restauradores, foi totalmente remodelado e agora é um hotel de luxo, mas ainda carrega memórias do apogeu dos anos dourados do cinema.​
  • Cinema Império (Lisboa): Inaugurado em 1952, chegou a ter 1.600 lugares! Hoje pertence a outra instituição, mas marcou gerações pelas suas estreias e ambiente imponente.​
  • Cineteatro Capitólio (Lisboa): Modernizado recentemente, inaugurado em 1922 e famoso pelos blockbusters e espetáculos ao vivo.​
  • Cinema São Jorge (Lisboa): Outro gigante, abriu em 1950 e ainda recebe festivais como o IndieLisboa ou o Motelx. Aqui a tradição cinematográfica mantém-se acesa!​

Outras cidades também têm salas de referência: o Cinema Trindade no Porto ou o Theatro Circo em Braga são bons exemplos.

Por que Netflix aposta nos cinemas históricos?

A estratégia de Netflix ao escolher estas salas para exibições especiais faz todo o sentido: criar uma relação emocional com o público, associar “Jay Kelly” ao ritual do cinema clássico (popcorn na mão, cadeiras rangentes, grande ecrã à frente), e aproveitar a nostalgia de quem ainda valoriza ir “ao cinema ao vivo”. Para além disso, é uma jogada de mestre para as campanhas de prémios — e quem não gosta daquele ar exclusivo de um evento vintage, com programas de colecionador e projeção em película verdadeira?

A exibição em 35mm não é só nostalgia: é também uma decisão estética — reforça a textura visual do filme, e faz com que a experiência seja distinta do streaming. Ninguém esquece a diferença de ver um filme no sofá ou num destes palcos lendários.

O que torna estes espaços diferentes?

Os cinemas históricos são espaços de:

  • Património arquitetónico e cultural (fachadas art déco, interiores luxuosos e aquele cheirinho a história);
  • Socialização tradicional (encontre-se com amigos, família ou desconhecidos, todos em comunhão cinéfila);
  • Resistência à digitalização selvagem (ainda se projeta película a sério!);
  • Palco de estreia de filmes únicos, ciclos temáticos, festivais e experiências que só acontecem ali.​

Cinemas históricos em Portugal: há futuro?

Apesar das transformações, muitos destes espaços lutam para sobreviver, reinventando-se com programação alternativa, festivais, concertos e eventos. O renascimento das sessões especiais, como as promovidas neste contexto de “Jay Kelly”, é também uma forma de revitalizar as salas que resistiram à demolição ou ao abandono — e de cativar novas gerações.

Portanto, se alguma vez tiveres a oportunidade de assistir a um filme num destes cinemas (principalmente em 35mm!), nem penses duas vezes. É um pedaço de história viva — e aquele ritual, com cheiro a pipocas e tudo, não tem substituto digital possível!

Autor

  • Amante de tecnologia no geral e de wearables. Viveu o melhor dos dois mundos, do analógico ao digital. A utilização da Apple mudou a sua perspectiva pela tecnologia contudo ainda vive em vários mundos, android, Apple, Windows e Linux.