Quando a Internet pára: o apagão da Cloudflare de Novembro de 2025

Escrito por Pedro
18 de Novembro, 2025

Há dias que deixam marcas. Terça-feira, 18 de novembro de 2025, será lembrada por muitos como o momento em que a internet praticamente parou. Tudo graças a uma falha global nos serviços da Cloudflare, uma das gigantes que alimentam, protegem e agilizam os bastidores digitais do nosso dia a dia. Em plena manhã, milhares de sites – de redes sociais a bancos, passando por plataformas de inteligência artificial, serviços de design e informação financeira – ficaram fora de serviço. Curioso? Vem daí descobrir tudo o que aconteceu, quem foi afetado, de onde veio o problema, e que lições ficam deste “apagão digital global”.
O que aconteceu?
Logo nas primeiras horas do dia, uma avalanche de relatos começou a surgir nas redes sociais e plataformas de monitorização: sites importantes estavam em baixo. Os utilizadores rapidamente perceberam que não era um problema do seu computador – nem sequer da sua rede de casa. Nem o truque velho de reiniciar o router serviu. O responsável era, afinal, a Cloudflare, cujo sistema apresentou uma falha generalizada de tal amplitude que fez tremer a própria espinha dorsal da internet global.
A Cloudflare é, simplificadamente, uma empresa que funciona como escudo e acelerador de boa parte da web. O problema, desta vez, não foi causado por um ataque externo, mas sim por uma falha técnica interna – pelo menos até ao momento não há indícios de ciberataque, segundo o comunicado oficial da empresa. De imediato, a equipa técnica da Cloudflare entrou em ação, mas várias horas passaram até a estabilidade regressar a muitos dos sites afetados.
Serviços, plataformas e setores atingidos
Este não foi o típico erro que só impede de ver um ou outro vídeo. Entre os nomes mais sonantes que ficaram temporariamente indisponíveis estiveram:
- X (ex-Twitter), a plataforma preferida para debates em tempo real
- ChatGPT, ferramenta de IA amplamente usada em Portugal e na Europa para trabalho, estudo e lazer
- Canva, essencial para o design digital rápido
- OpenAI, responsável pelo motor de IA ChatGPT
- Plataformas financeiras e vários serviços bancários online
- Sites de informação, como o próprio DownDetector, habitualmente usado para perceber… se há falhas globais!
Ao todo, estima-se que mais de 500 grandes portais, serviços financeiros, e redes sociais registaram instabilidades significativas ou deixaram mesmo de funcionar durante boas horas da manhã. Em Portugal, a situação foi especialmente sentida porque vários sites de empresas nacionais estavam protegidos pela infraestrutura da Cloudflare e por isso, desapareceram ou sofreram graves lentidões.
O impacto do apagão digital
É difícil medir em euros o prejuízo causado por uma falha destas, mas há números que dão que pensar. Milhares de empresas, freelancers, criadores de conteúdos, jornalistas, startups tecnológicas e bancos viram-se, de repente, “às escuras”. Desde operações bancárias pendentes, a cartões virtuais bloqueados, notícias que ficaram por publicar, até negócios de e-commerce que perderam vendas numa altura crítica do mês.
Mais importante ainda, este incidente demonstra a dependência extrema que temos, enquanto sociedade, de infraestruturas tecnológicas geridas por poucas empresas globais. Quando um elo falha, seja por erro humano ou por azar, o efeito dominó faz-se logo sentir.
O que explicou a Cloudflare?
Os comunicados oficiais foram rápidos a aparecer: “A Cloudflare tem conhecimento e está a investigar um problema técnico que potencialmente afeta múltiplos clientes, a nível global”, referiu a empresa. A equipa avançou com ações de mitigação, “trabalhando incessantemente para restaurar os serviços afetados o mais rapidamente possível”.
Apesar de ter sido um problema técnico, ainda não há um relatório completo sobre o que falhou — mas indícios apontam para uma conjugação de erros de configuração e possíveis sobrecargas em algumas rotas críticas dos servidores globais da Cloudflare, afetando funções essenciais como DNS (sistema que permite traduzir nomes de sites em endereços IP). A boa notícia – se é que se pode chamar assim – é que, desta vez, a falha não foi causada por um ataque externo, o que costuma ser motivo de maior preocupação.
Reação de empresas e utilizadores
Rapidamente se tornaram virais imagens e relatos frustrados de profissionais e utilizadores impossibilitados de entregar trabalhos, processar transações, ou simplesmente aceder às suas plataformas favoritas. Muitos bancos portugueses e europeus reportaram falhas, sendo que alguns até conseguiram manter apps móveis a funcionar, ao passo que outras dependiam totalmente das infraestruturas afetadas pela Cloudflare.
Redes sociais como o X tornaram-se palco para as tradicionais reclamações, memes e debates acesos sobre a fragilidade da infraestrutura tecnológica que suporta a internet. Foram também usadas para partilhar alternativas e atualizações, numa espécie de “cabine de crise digital”.
Bancos e serviços essenciais: o medo do prejuízo
Em plena era dos pagamentos digitais, muitos utilizadores relatam tentativas falhadas de realizar transferências, pagamentos de serviços ou até de aceder ao saldo bancário. Para quem depende do homebanking para receber pagamentos, pagar contas ou até carregar passes de transportes, a manhã foi… longa e de muitos nervos!
Não se registaram, contudo, relatos de roubos ou ataques associados a esta falha. A incapacidade em aceder aos sistemas foi, em contrapartida, o maior problema.
O que podemos fazer perante estas falhas?
Se fores daqueles que perdeu brevemente a cabeça ao ver o ChatGPT e o Canva em baixo, fica o conselho:
- É inútil insistir em recarregar repetidas vezes a página nessas horas críticas.
- Procurar fontes oficiais e redes sociais pode ajudar a perceber se o problema é geral ou localizado.
- Deve-se aguardar, pois as equipas técnicas destas grandes empresas trabalham, literalmente, “24/7” para resolver situações deste género — quanto maior a empresa, mais rápida costuma ser a reação.
- Para negócios e profissionais, é sempre boa ideia diversificar infraestruturas essenciais ou ter backups e meios alternativos para pelo menos informações críticas.
E agora, vai voltar a acontecer?
Esta é a pergunta do milhão de euros (sim, falamos em €). Incidentes deste tipo não são tão raros como se pensa, mas raramente ganham esta dimensão global. A verdade é que nenhuma infraestrutura digital está imune a falhas, sejam elas de ordem técnica ou humana. O mais importante, depois do susto, será mesmo aprender com ele e reforçar mecanismos que evitem ao máximo repetições — tarefa anunciada tanto pela Cloudflare como por outras empresas do setor.
Dependência crítica das infraestruturas globais
Este apagão digital mostra, de forma nua e crua, como o mundo está ligado por fios invisíveis, nos quais muitos de nós raramente pensamos. Uma só falha num serviço core pode, literalmente, desligar meio mundo, mesmo que apenas por algumas horas.
Para quem trabalha, empreende ou simplesmente gosta de navegar pela net, ficou, pelo menos, uma mensagem clara: a internet é forte, mas também frágil — e a redundância e transparência serão sempre as melhores aliadas.