Alibaba entra na guerra dos óculos inteligentes: Quark AI Glasses mexem com o jogo (mas só na China)

Escrito por Pedro
30 de Novembro, 2025

Entrámos mesmo, sem dúvida nenhuma, na guerra dos óculos inteligentes – e agora até a Alibaba decidiu atirar-se para o ringue, o que há uns anos parecia tudo menos óbvio. Não foi com um lançamento global, foi “apenas” na China, mas a jogada é séria e bem pensada.
Uma guerra que já não dá para ignorar
Nos últimos meses já se falava muito de Ray‑Ban Meta, Xiaomi, Rokid, Xreal e companhia, mas a entrada da Alibaba mostra que isto deixou de ser nicho e passou a ser corrida real para o “próximo smartphone”. Os Quark AI Glasses, com os modelos S1 e G1, vêm logo com IA Qwen incorporada, e com isso a Alibaba assume que quer ter um “portal” próprio para a próxima geração de interação homem‑máquina.
O mais curioso é ver uma empresa que sempre associámos ao e‑commerce e cloud a meter‑se a sério em hardware de consumo, com um produto que mistura assistente de IA, compras, pagamentos e produtividade, tudo em cima do nariz do utilizador. É um salto claro de “somos uma plataforma” para “somos também o dispositivo por onde entra o tráfego do futuro”.
Alibaba: o “azarão” que ninguém esperava ver aqui
Se alguém perguntasse há uns anos quem ia liderar a corrida dos óculos inteligentes, a maior parte das pessoas apontaria para Apple, Meta, Google ou, vá, Xiaomi. A Alibaba surgia mais como infra‑estrutura e marketplace, nunca como marca de gadgets para consumidor final.
E, no entanto, aqui está ela com:
- Quark S1 com ecrãs translúcidos e dupla engine ótica, baterias trocáveis e microfones de condução óssea.
- Quark G1 mais leve, lifestyle, sem ecrã mas com o mesmo “cérebro” de IA e integração com o ecossistema Alibaba.
Tudo isto disponível só na China, vendido em plataformas como Tmall, JD.com, Douyin e em mais de 600 lojas físicas de ótica espalhadas por dezenas de cidades. Ou seja, isto não é protótipo de laboratório; é lançamento comercial a sério, mesmo que ainda seja regional.
China primeiro, Europa… logo se vê
Para já, a jogada é claramente “China first”: os óculos foram lançados no mercado chinês, com preços a começar nos 1 899 yuan para os G1 e nos 3 799 yuan para os S1, o que convertido dá ali qualquer coisa como cerca de 240–255 € para o G1 e 480–510 € para o S1, dependendo do câmbio do dia. São valores aproximados, não preços oficiais em euros, porque o produto ainda não está à venda na Europa nem em Portugal.
As fontes falam de “entrada na corrida global dos wearables” e, nalguns casos, até referem que versões internacionais poderão ser lançadas mais tarde, mas sem calendário fechado para a União Europeia. Ou seja, neste momento não há data concreta nem confirmação de disponibilidade oficial no nosso mercado – qualquer outra coisa seria inventar, e as notícias não apontam uma janela específica para a Europa.
O que é que isto nos diz sobre a “guerra dos óculos”?
O simples facto de uma gigante como a Alibaba entrar no jogo com um produto relativamente amadurecido diz muito sobre o momento em que estamos:
- Há uma aposta clara em óculos com IA como próxima grande interface pessoal, não só para tirar fotos, mas para navegar, traduzir, trabalhar e consumir conteúdos.
- A corrida já não é só Ocidente vs. Meta/Apple; é também China com Alibaba, Xiaomi, Baidu, etc., a tentar dominar o “gateway” de IA que colocamos na cara.
- A integração forte com pagamentos (Alipay), compras (Taobao) e navegação (Amap) mostra que o objetivo é prender o utilizador ao ecossistema, como um super “atalho físico” para tudo o que a empresa faz.
Sim, entrámos mesmo na guerra dos óculos inteligentes – e o plot twist é que até a Alibaba, que muitos não contavam neste campeonato, já está a dar cartas (por enquanto só na China, mas com ambição global bem à vista).


