Descobre “O café Pumpkin Spice”

Escrito por Pedro
6 de Dezembro, 2025

Se há coisa que sabe mesmo bem nos dias cinzentos (ou chuvosos, como se quer num bom outono literário), é um livro aconchegante e cheio de especiarias românticas. E é assim que se sente “O café Pumpkin Spice”, primeiro volume da série Dream Harbor de Laurie Gilmore – que não tem nada a ver com as abóboras do Starbucks, embora esteja carregado do mesmo charme e ambiente cozy.
Quem é Laurie Gilmore?
Laurie Gilmore (não, não é parente da Lorelai ou da Rory, calma…) é uma autora que anda a conquistar fãs pelo mundo fora graças aos seus romances passados em cidades pequenas, cheios de personagens peculiares e muita paixão sem filtros. Já tem vários livros publicados dentro do universo Dream Harbor, como “A Livraria Cinnamon Bun”, e, se gostas daquela sensação de comunidade, fofoca em segredo no café da esquina e romances intensos – prepara-te que vais querer ler tudo o que ela escreve! Laurie tem uma escrita fresca, sem rodeios, com um sentido de humor subtil e um toque picante que surpreende.
Enredo: O que se passa no tal café?
A história gira à volta de Jeanie, uma jovem proveniente de Boston, cansada da correria e do stress da cidade grande, que recebe a proposta de assumir o Café Pumpkin Spice da sua tia em Dream Harbor, uma vila costeira tão acolhedora quanto um abraço de manta acabadinha de sair da máquina. Jeanie, já descrente no seu antigo trabalho aborrecido e após uns episódios menos felizes, arrisca aceitar e muda-se para onde ninguém lhe conhece o passado – nem os dramas.
Ao chegar ao vilarejo, encontra Logan: aquele agricultor bronzeado, de barba rústica e jeito introvertido, que mais parece saído de um catálogo outonal do Pinterest. Logan foge das mexeriquices da terra e dos fantasmas das suas paixões antigas, mas Jeanie vem virar-lhe a vida do avesso (já se sabe que ninguém resiste ao pacote completo: café quentinho, dona bem-disposta e decorações outonais).
A narrativa alterna entre o ponto de vista de Jeanie e de Logan, o que é óptimo para sentir as inseguranças, os traumas mas também a evolução pessoal de ambos. Não é só romance – é vida nova, recomeço e encontro com a comunidade, receitas de bolos pelo meio e, claro, umas pitadas picantes nos momentos certos.
Interpretação: o que faz deste livro especial?
Laurie Gilmore pega no que há de melhor em séries como “Gilmore Girls” ou “Virgin River”: uma vila cheia de vizinhos curiosos, cafés que são o centro das conversas e protagonistas com muita personalidade. Mas não cai no conto da carochinha; há aqui maturidade e uma dose saudável de cenas explícitas que colocam o romance num registo spicy, fora do normal para quem espera só ternura. Isto é, se achas que vais apanhar só um romance fofinho, prepara-te para momentos de paixão que aquecem mais do que qualquer especiaria da estação.
Há um equilíbrio entre a adaptação da Jeanie à nova vida, as amizades que vão surgindo à volta das mesas do café e o crescimento do romance, sempre com desafios (especialmente o mistério sobre quem anda a importuná-la, talvez para dar sabor extra à trama). O livro é linear, sem grandes reviravoltas, mas é aí que está a sua força: na simplicidade das emoções, no ritmo suave e na capacidade de nos fazer querer mesmo viver em Dream Harbor – nem que seja só para provar um pumpkin spice latte e ouvir as últimas fofocas da vila.
A minha opinião pessoal
Tal como um bom café com especiarias e uma fatia de bolo caseiro, “O café Pumpkin Spice” é uma leitura reconfortante. Para quem gosta de romances que abraçam o leitor sem dramas excessivos, mas com química genuína e um ambiente outonal perfeito, este livro é uma aposta ganha. Não é um thriller, não há mistérios de vida ou morte nem grandes surpresas – mas a beleza está precisamente no aconchego, na familiaridade e no crescimento dos personagens.
A escrita é leve e acessível, com capítulos curtinhos, alternados entre a perspetiva de Jeanie e Logan, o que ajuda imenso na empatia com cada personagem (e nem sequer enjoa, porque as doses de açúcar e picante estão bem equilibradas). Adorei, especialmente pelo ambiente de vila, pelas descrições que dão vontade de decorar a casa em tons terra e fazer bolachinhas de abóbora. E, claro, pelo Logan, que consegue ser um “bronco charmoso” – afinal, não há romance de vila sem agricultor obstinado…
Pontos fortes:
- Ambiente cozy e outonal, perfeito para ler com manta e chá.
- Desenvolvimento dos personagens, sem superficialidade.
- Alternância de perspetivas dos protagonistas.
Pontos menos fortes:
- Linearidade excessiva, sem grandes surpresas.
- Enredo previsível, típico daquele género reconfortante que acaba quase sempre bem.
- Pode não ser o livro ideal para quem prefere fantasia pura ou ficção científica de outro mundo – mas, para romance com chão firme, é excelente.
Nota final
Na escala da vida, talvez não seja o mais revolucionário dos romances, mas para quem procura aconchego literário e personagens credíveis, dou-lhe um sólido 8 em 10. Sabe bem, é fácil de ler e, acima de tudo, deixa vontade de viver em Dream Harbor (ou pelo menos de experimentar um pumpkin spice artesanal, daqueles a sério).