CES 2026 em Las Vegas: chips de IA, TVs “True RGB” e robôs inteligentes

Escrito por Pedro
9 de Dezembro, 2025

A CES 2026 ainda não começou, mas já há um conjunto de tendências e anúncios praticamente garantidos: muitos chips com foco em IA, televisores mais brilhantes e “realistas”, robôs para tudo e mais alguma coisa e uma enxurrada de portáteis com novas plataformas Intel, AMD e Qualcomm. Tudo isto com impacto directo no que vamos poder comprar cá na Europa e em Portugal nos próximos meses.
Vamos a datas, formato do evento o o contexto
A CES 2026 decorre oficialmente de 6 a 9 de Janeiro, em Las Vegas, com eventos de aquecimento já a partir de domingo, 4 de Janeiro, incluindo sessões de imprensa e apresentações das grandes marcas. Como sempre, a feira ocupa o Las Vegas Convention Center e vários hotéis à volta, com demonstrações, keynotes e reuniões de negócio non‑stop.
Para quem está deste lado do Atlântico, isto significa basicamente uma coisa: aquilo que se vê lá em Janeiro é o que vai começar a aterrar nas lojas europeias a partir do primeiro trimestre de 2026, com alguns produtos a chegarem só mais perto do verão, dependendo de certificações, logística e prioridades de cada marca. Normalmente, TVs topo de gama, portáteis premium e gadgets de casa inteligente chegam primeiro aos EUA e Ásia e poucas semanas depois à Europa, muitas vezes com preços em € ligeiramente acima da conversão directa de dólar, por causa de impostos e transporte.
Grandes conferências: quem manda no palco
Alguns dos momentos mais importantes da CES são sempre as grandes keynotes, onde as marcas despejam a visão do ano e apresentam as estrelas do catálogo. Em 2026, o alinhamento já está em grande parte definido, e dá uma boa pista do que aí vem.
- Samsung (4 de Janeiro – “The First Look”)
A Samsung abre as hostilidades com uma apresentação focada na visão da divisão DX (Device eXperience) para 2026 e em novas experiências de utilizador baseadas em IA. Traduzindo: TVs, casa conectada, possivelmente novidades em monitores, áudio e integração com dispositivos Galaxy, todos embrulhados no discurso da “AI everywhere”. - Segunda‑feira, 5 de Janeiro – dia cheio de keynotes
- LG – “Innovation in Tune with You”: a marca fala em “Affectionate Intelligence”, basicamente um branding para soluções de IA que tentam ser mais humanas e contextuais na forma como interagem connosco em casa. Espera-se muito foco em eletrodomésticos “inteligentes”, TVs e ecossistema LG webOS com serviços ligados à cloud.
- Intel – lançamento Core Ultra Series 3 (Panther Lake): apresentação oficial dos novos chips para portáteis premium, com grande ênfase em desempenho de IA local e eficiência energética.
- Sony Honda Mobility – primeiro carro: a colaboração Sony + Honda sobe ao palco com mais detalhes (e possivelmente datas) sobre o seu primeiro veículo elétrico focado em entretenimento, conectividade e integração profunda com o ecossistema Sony.
- AMD – keynote de Lisa Su: atualização da linha Ryzen, novas gerações para desktop e possivelmente APU para PCs compactos, além de foco em tecnologias de upscaling e IA para gaming.
- Lenovo – Tech World no Sphere (6 de Janeiro)
A Lenovo usa o Sphere (sim, aquele ecrã gigante e curvo em Las Vegas) para falar da sua visão de “smarter AI for all”, basicamente PCs, portáteis, workstations e possivelmente alguns conceitos de dispositivos híbridos com forte integração de IA local e na cloud. A ideia é mostrar como a IA vai estar presente desde o portátil de trabalho até soluções de edge computing empresarial.
Chips: o ano do “AI PC” a sério
Se 2024–2025 foram anos de arranque do “AI PC”, 2026 vai ser o momento em que isso começa a ser realmente mainstream, com várias plataformas novas a ganhar forma em portáteis que vão chegar a Portugal e à Europa ao longo do ano.
AMD: novos Ryzen e foco em IA
A AMD deve usar a CES 2026 para mostrar novas versões de Ryzen, incluindo o Ryzen 7 9850X3D e a série Ryzen 9000G, alegadamente baseada em Zen 5, com ganhos relevantes em desempenho single‑thread e gráficos integrados mais capazes. Estes chips deverão aparecer em desktops gaming e em PCs compactos all‑in‑one, que normalmente chegam cá à Europa algumas semanas depois dos anúncios, via grandes marcas como ASUS, Acer, HP ou Lenovo.
Outra peça importante é o FSR Redstone, a próxima geração da tecnologia de upscaling com IA da AMD, pensada para melhorar performance em jogos sem sacrificar tanto a qualidade visual. Se os fabricantes de portáteis agarrassem isto bem, vamos ver muitos modelos de gaming, na casa dos 1 200–2 000 €, com suporte nativo para esta tecnologia a meio de 2026 na Europa.
Intel: Core Ultra Series 3 (Panther Lake)
A Intel já confirmou que vai lançar oficialmente os chips Panther Lake – Intel Core Ultra Series 3 – na CES 2026, posicionados para portáteis premium com forte foco em IA. Segundo a prévia de Outubro de 2025, estes serão os primeiros chips em 2 nm (processo 18A), prometendo cerca de 50% mais desempenho de processamento geral e 50% de melhoria na GPU Arc integrada face à geração anterior.
Na prática, o que isto significa para quem compra em Portugal:
- Portáteis “AI PC” premium de marcas como Dell XPS, Lenovo Yoga, HP Spectre, ASUS Zenbook, a chegar ao mercado europeu provavelmente durante a primavera de 2026, com preços a começar ali na zona dos 1 300–1 500 € para modelos de entrada premium.
- Melhor eficiência significa baterias com mais autonomia e mais espaço térmico para GPUs externas em portáteis de gaming, o que pode dar origem a máquinas mais finas sem parecerem “tijolos”.
Qualcomm: Snapdragon X2 Elite e X2 Elite Premium
A Qualcomm continua a tentar furar a bolha do “PC com ARM” e, em 2026, a família Snapdragon X2 Elite e X2 Elite Premium deve começar a aparecer em portáteis na CES. A promessa é clara: mais desempenho global e, sobretudo, um grande salto em capacidades de IA face à geração anterior, com NPU mais potentes e melhor integração com o Windows on ARM.
Para o mercado europeu:
- Os primeiros portáteis com Snapdragon X2 deverão começar a ser vendidos em meados de 2026, com foco em autonomia muito elevada (12–20 horas reais) e conectividade 5G opcional.
- Os preços devem posicionar‑se na gama média‑alta, algo na ordem dos 1 000–1 600 €, dependendo da marca e especificações, com foco em produtividade, trabalho remoto e creators leves.
Televisores e ecrãs: mais brilho, cores mais “reais” e HDR turbo
CES sem TVs é como smartphone sem bateria. Em 2026 o tema quente volta a ser brilho e fidelidade de cor, mas com novas tecnologias e normas HDR.
Sony e o “True RGB”
A Sony lançou em 2025 uma linha Bravia renovada, com destaque para o Bravia 9 com painel QD‑OLED, mas em bastidores já trabalha numa tecnologia de painéis Mini LED RGB para 2026. Em Março de 2025 apresentou um novo painel RGB LED que usa backlights Mini LED individuais em vermelho, verde e azul para conseguir mais brilho e cores mais precisas, sem os problemas de burn‑in ligados ao OLED.
- Esta tecnologia, que pode vir a ser baptizada de “True RGB”, é candidata a ser uma das grandes estrelas da CES 2026 se a Sony decidir mostrá‑la em TVs de consumo ou monitores gaming.
- A ideia é oferecer brilho nível Mini LED, mas com cores mais controladas e sem camadas adicionais de filtragem, o que pode ajudar no contraste e na eficiência.
Se estas TVs chegarem ao mercado europeu em 2026 (o que é muito provável, mesmo que só para gamas mais altas), os preços devem ficar na faixa alta, facilmente acima dos 1 800–2 000 € por modelos de 55–65 polegadas nos primeiros meses de lançamento. Em Portugal, tipicamente, as gamas premium da Sony chegam através das grandes retalhistas (Worten, Fnac, El Corte Inglés, etc.) poucas semanas após o lançamento europeu.
Samsung e o novo HDR10+ Advanced
A Samsung parece estar a preparar uma resposta directa ao Dolby Vision 2, na forma de um novo standard HDR10+ Advanced, que poderá aparecer em demonstrações na CES 2026. Este formato deverá acrescentar:
- Melhor brilho e contraste dinâmico,
- Mapeamento de tons ajustado por género de conteúdo (filmes, desporto, jogos),
- Opções inteligentes de “motion smoothing” mais controláveis, em vez daquele efeito telenovela agressivo.
Se isto avançar, TVs Samsung lançadas em 2026 na Europa devem trazer HDR10+ Advanced de origem, sobretudo nas gamas média‑alta e topo (S90, S95, Neo QLED, etc.). Isto é relevante para quem consome streaming, porque serviços como Amazon Prime Video, Disney+ e outros podem adoptar o novo formato e melhorar o aspecto de conteúdos HDR sem necessitar de Dolby Vision, que a Samsung tradicionalmente evita.
Monitores e gaming: altas taxas de refrescamento e IA
Além das TVs de sala, 2026 também promete mexer com os monitores, sobretudo para gaming e produtividade criativa. Um dos exemplos no radar é um novo monitor PlayStation da Sony com frequência de 240 Hz, previsto para 2026 e candidato a ser exibido na CES.
Um monitor 240 Hz oficial para o ecossistema PS e PC apela bastante a jogadores competitivos, especialmente em títulos FPS, onde mais frames significam menos input lag e melhor fluidez. Em termos de chegada à Europa, a Sony costuma alinhar lançamentos globais com poucos meses de diferença, por isso um monitor deste tipo poderia chegar em 2026 com preços provavelmente na gama dos 500–900 € dependendo do tamanho e tipo de painel (possivelmente OLED ou Mini LED para nichos mais entusiastas).
Robótica: do Ballie aos aspiradores com “pernas”
Robôs continuam a ser uma espécie de mascote futurista da CES, e 2026 não parece fugir à regra.
O eterno “Ballie” da Samsung
O pequeno robô esférico amarelo Ballie já foi apresentado duas vezes: em 2020 e novamente em 2024, desta vez com projector integrado. Em 2025, a Samsung chegou a prometer que o Ballie ia ser lançado com o Gemini da Google no verão, mas o ano passou e… nada.
- É bem possível que a marca volte a falar de Ballie na CES 2026, talvez com nova data de lançamento ou demonstrações mais maduras.
- A ideia do Ballie é ser um assistente robótico doméstico que anda pela casa, projecta conteúdos, interage com outros dispositivos e usa IA para adaptar‑se ao utilizador.
Se chegar a ser um produto real, o cenário provável é sair primeiro na Coreia/EUA e só depois, se correr bem, na Europa. Em termos de preços, dado o tipo de hardware e o posicionamento “premium lifestyle”, dificilmente custaria menos de 800–1 200 € quando (e se) chegar ao nosso mercado.
Aspiradores, mops e robôs mais inteligentes
Na CES 2025, os aspiradores robô e mops robotizados foram um destaque enorme, e a tendência deve continuar em 2026. Há algumas direcções claras:
- Robôs com braços retrácteis ou componentes móveis avançadas, como o Roborock Saros Z70, que conseguem chegar melhor a cantos ou subir pequenos obstáculos.
- Robôs com “pernas” ou mecanismos para subir pequenos degraus, como o Dreame X50, que parecem ser a próxima norma para lidar com desníveis em casa sem ter de andar a mudar o robô de divisão.
- O Roborock Qrevo Curv 2 Flow é apontado como o primeiro aspirador da marca com um rolo de mop retráctil, o que lhe permite alternar de forma mais inteligente entre aspirar e lavar sem arrastar mops molhadas onde não deve.
No contexto europeu/português, estes robôs normalmente começam a aparecer nas grandes lojas e Amazon ES/DE alguns meses depois da CES. À partida, modelos avançados de marcas como Roborock e Dreame andam na faixa dos 600–1 400 €, dependendo da estação de limpeza automática, funções de lavagem, potência de sucção e extras de IA (reconhecimento de objectos, rotas otimizadas, etc.).
IA, “world models” e robôs que entendem o espaço
Um dos tópicos de bastidores mais interessantes para 2026 é a crescente atenção da indústria à passagem de simples modelos de linguagem para “world models” – modelos de IA que tentam compreender melhor o espaço físico, a dinâmica de objectos e o contexto do mundo real.
Esta abordagem é essencial para:
- Robôs de casa e de trabalho que consigam sair do padrão “andar em ziguezague e fugir de paredes” para algo mais próximo de um humano com mapa mental da casa.
- Robôs bípedes e industriais que necessitam de coordenação motora mais fina, reconhecimento de obstáculos e planeamento de movimentos complexos.
Na CES 2026 é muito provável ver:
- Demonstrações de robôs que conseguem navegar em ambientes complexos (casas desarrumadas, escritórios com muita gente) sem se perderem ou ficarem presos em situações idiotas.
- Empresas de IA a apresentar plataformas para treinar estes world models, com simulações avançadas e integração com hardware real.
Para o utilizador final em Portugal, isto vai traduzir‑se, com o tempo, em robôs mais confiáveis, que se entopem menos, mapeiam melhor a casa e requerem menos intervenção manual. É daquelas coisas que não se vê numa folha de especificações, mas nota‑se muito na experiência do dia‑a‑dia.
O que isto tudo significa para Portugal / Europa
Se olharmos para a CES 2026 com mentalidade prática – “ok, e quando é que eu posso comprar isto aqui?” – o filme costuma ser mais ou menos este:
- Portáteis com Intel Core Ultra Series 3, novos Ryzen e Snapdragon X2
Devem começar a aparecer em pré‑venda na Europa entre Março e Maio de 2026, com maior disponibilidade até ao verão. Em Portugal, as grandes superfícies costumam receber primeiro as gamas mais comerciais (IdeaPad, VivoBook, etc.) e só depois os modelos mais premium, embora algumas lojas online tragam rapidamente versões mais avançadas. - Novos TVs Sony, Samsung, LG (incluindo True RGB e HDR10+ Advanced)
Os modelos topo de gama apresentados na CES costumam chegar ao mercado europeu entre Março e Junho, com Portugal a seguir de perto esse calendário, sobretudo nas redes maiores. Os preços iniciais são sempre mais altos (por exemplo, 2 000 €+ por 65″ topo de gama), mas caem ao longo do ano, especialmente em promoções tipo Black Friday. - Robôs aspiradores/mops de nova geração
Marcas como Roborock, Dreame e afins têm forte presença nos mercados europeus, por isso é provável que os novos modelos cheguem entre o segundo e o terceiro trimestre de 2026. Em Portugal, ou chegam através de distribuidores oficiais com preços alinhados ao resto da Europa, ou via Amazon/Espanha, o que muitas vezes compensa em promoções. - Produtos mais conceptuais (Ballie, robôs avançados, carros Sony Honda)
Estes tendem a chegar muito mais tarde à Europa, quando chegam. O Ballie, em particular, já teve várias datas flutuantes, por isso convém manter algum cepticismo até haver vendas reais em mercados de referência.
Opinião: porque é que esta CES é mais interessante do que parece
Mesmo para quem já está farto de ouvir “IA” em tudo, a CES 2026 pode ser um ponto de viragem interessante. Em vez de só ver assistentes virtuais e truques de marketing, começa a notar‑se:
- IA integrada a sério no hardware (NPUs dedicadas, chips feitos de raiz para workloads de IA local).
- Melhoramentos mesmo palpáveis no dia‑a‑dia: PCs que consomem menos e fazem mais, TVs mais inteligentes no tratamento de imagem, robôs que se atrapalham menos a navegar na casa.
Do ponto de vista de quem compra em Portugal, o grande truque em 2026 vai ser saber esperar: muita coisa apresentada em Janeiro só fará sentido comprar mais perto do verão ou fim do ano, quando os preços estabilizarem e houver feedback real de utilizadores. Mas esta CES vai dar um bom mapa do que compensa actualizar – sobretudo se estiveres a pensar trocar de portátil ou TV nos próximos 12–18 meses.