Consegue Resolver Este Crime? – Escolhe o teu caminho no mistério interativo de Antony Johnston

Pedro

Escrito por Pedro

13 de Dezembro, 2025

Livro Epub consegue resolver este crime

Antony Johnston é daqueles autores que não ficam quietos: britânico, nascido em 1972, já andou por tudo o que é género — da banda desenhada à ficção científica, passando por thrillers e videojogos. Se nunca ouviste falar, de certeza que já tropeçaste nalguma das suas obras adaptadas, como “Atomic Blonde” (lembras-te do filme com Charlize Theron?), e também escreveu argumentos para videojogos famosos como “Dead Space”, “Shadow of Mordor” e “Resident Evil Village”. Johnston trabalha a escrita como quem desmonta um relógio, sempre a tentar perceber como funciona cada engrenagem narrativa, e depois desafia-te — leitor a pensar que “já viu tudo” — a entrar no jogo com ele.​

Mas, atenção, não é só um nome nas listas de mais vendidos do New York Times. O Johnston é reconhecido por misturar géneros e testar os limites da estrutura literária. Com “Consegue Resolver Este Crime?”, ele atira-se à aventura de criar um romance policial em formato de “gamebook”, algo que era moda nos anos 80, mas raramente adaptado a leitores adultos e a crimes complexos.​

Enredo: Elysium e o Crime da Rosa

O palco deste mistério é Elysium, um retiro de bem-estar britânico instalado numa mansão rural. O que seria um cenário de paz transforma-se no epicentro de um homicídio brutal: o corpo de Harry, um empresário local (não muito bem visto, diga-se), é encontrado no relvado, com uma rosa na boca e esfaqueado com um garfo de jardinagem. Para cúmulo, parece que foi empurrado da varanda e morreu na queda, sendo que essa varanda só pode ser acedida por dentro, através de uma porta trancada e cuja chave está desaparecida. Mistério à inglesa, no seu melhor.​

E agora o belo twist: “Todos no Elysium são suspeitos”. Desde a massagista que não atura os avanços de Harry, passando pela dona do spa em falência, a viúva com motivações suspeitas, e até um staff que parece saber mais do que deixa transparecer… Vais ter de interrogar, recolher provas, cruzar alibis e decidir quem acusar — e cada decisão muda o rumo da história. É o leitor que segue pistas, entrevista, escolhe suspeitos e analisa provas, tentando decifrar um código, quem toma todas as decisões.​

Johnston não inventa só uma história, mas todo um sistema de investigação, quase como um RPG literário. Ficas sempre na dúvida: será melhor seguir aquele suspeito? Insistir na análise da arma do crime? Ceder à intuição ou deixar que os factos falem mais alto? Cada caminho pode terminar em sucesso ou desgraça (tipo: seres expulso do caso!), e há que jogar à séria — apontar notas, ligar pistas e ter atenção aos detalhes ou acabas a culpar a pessoa errada.​

Interpretação literária: entre o clássico e o inovador

O formato é absolutamente inovador: tens o enredo policial à Agatha Christie, mas também o poder de escolha à “Choose Your Own Adventure”. O Johnston consegue misturar o mistério clássico com um ritmo de videojogo de investigação — resultando numa experiência rica, exigente e, acima de tudo, interativa. E atenção, não é para quem quer ler de forma passiva. Vais precisar de tomar notas, decifrar um pequeno puzzle, analisar conversas e tomar decisões em tempo real. Isto requer atenção, alguma estratégia e — vergonhosamente — aceitares que podes falhar, começar outra vez e aprender com os erros.​

Os pontos fortes do livro? A autenticidade investigativa, personagens bem desenhados e uma solução corajosa e lógica, cheia de reviravoltas. O leitor sente-se realmente na pele de um inspetor (ou inspetora!), com margem para errar e aprender. Não é um livro de crime leve como os cozinhados para resolveres na última página. Aqui, o desafio é activo, realista e divertido.​

Do lado dos pontos menos positivos, alguns leitores podem achar o formato pesado: há quem diga que o ritmo é interrompido por tantas decisões e notas, que é preciso empenho para seguir as pistas (parece mesmo trabalho policial!). Mas, o livro compensa com a sensação de recompensa e rejogo — porque podes experimentar outros caminhos e soluções. Não te esqueças, algumas escolhas levam a becos sem saída e só há uma resposta certa para descobrir o verdadeiro culpado.​

Avaliação e a minha opinião

Como fã de fantasia e sci-fi, adoro livros que me fazem pensar e decidir. “Consegue Resolver Este Crime?” é um joguinho narrativo sem igual, daqueles que prende a atenção e obriga a participar, não só a observar. É para quem não quer apenas ler, mas “jogar” literatura. O mistério do Elysium tem tudo o que se quer: cenário inglês aconchegante, um crime à la Christie, personagens com muitos segredos, e um autor que sabe como construir tensão.

Se queres um livro para resolver ao domingo de manhã, sem te preocupares com pormenores, este não é para ti. Mas se gostas de ser desafiado, de experimentar várias soluções, de sentir que a tua inteligência é posta à prova — então vais adorar. E ainda ganha pontos por ser possível jogar mais do que uma vez. É quase como um cluedo literário.

Nota de 0 a 10? Dou-lhe uns bons 8,5. Não lhe dou 10 porque, por vezes, a estrutura pode ser exigente demais, e há momentos em que queria um pouco mais de contexto emocional nos personagens. Mas pela inovação, diversão e experiência, merece lugar de destaque nas estantes de quem gosta dos géneros policiais e interativos.

Autor

  • Amante de tecnologia no geral e de wearables. Viveu o melhor dos dois mundos, do analógico ao digital. A utilização da Apple mudou a sua perspectiva pela tecnologia contudo ainda vive em vários mundos, android, Apple, Windows e Linux.