Samsung Micro RGB na CES 2026: a nova arma contra OLED chega em 55” a 115”… e vai custar (muito) caro

Escrito por Pedro
18 de Dezembro, 2025

Samsung vai levar para a CES 2026 uma gama completa de TVs Micro RGB, que basicamente pega na ideia de Mini LED e leva-a ao extremo em cor e controlo de luz. Em vez de LEDs brancos atrás do painel, usa minúsculos LEDs vermelhos, verdes e azuis, o que lhe permite cores muito mais fiéis e um brilho brutal, ao ponto de cobrir 100% do exigente espaço de cor BT.2020 com certificação VDE, sob o selo “Micro RGB Precision Color 100”.
O que é a Micro RGB da Samsung
A tecnologia Micro RGB é uma evolução dos LCD com Mini LED: continua a ser um painel LCD com retroiluminação, mas essa retroiluminação é feita por arrays de LEDs RGB super pequenos (sub‑100 μm) em vez de LEDs brancos ou azuis com fósforo. Cada conjunto de LEDs RGB ilumina grupos de píxeis com muito mais precisão, permitindo zonas de escurecimento (local dimming) bem mais pequenas e controláveis do que num Mini LED típico.
Isto não é Micro LED puro nem OLED: aqui os píxeis não se ligam e desligam individualmente, por isso o contraste não chega aos níveis “preto absoluto” de OLED ou Micro LED, mas em troca tens mais brilho de pico e uma reprodução de cor teoricamente melhor que a de outros LCD topo de gama. A Samsung posiciona isto como uma nova categoria “ultra‑premium” de LCD, acima dos seus Mini LED Neo QLED, virada para quem quer cor e brilho no máximo, especialmente em tamanhos gigantes.
Gama de tamanhos e alinhamento para 2026
No ano passado, a Samsung tinha só um modelo Micro RGB de 115 polegadas, com um preço na ordem dos 30 000 dólares, o que já dizia tudo sobre o alvo: luxo puro para salas gigantes. Agora, a marca vai expandir a gama para vários tamanhos: 55, 65, 75, 85, 100 e 115 polegadas, todos previstos para o line‑up de 2026 e a serem mostrados em força na CES 2026 em Las Vegas.
Isto significa que a tecnologia deixa de ser só “coisa de showroom” e passa a aparecer em formatos mais próximos do que as pessoas metem numa sala normal (65–75″), mesmo que continue claramente no topo da oferta em termos de preço. A própria Samsung diz que estes modelos vão ocupar o segmento mais alto do seu portefólio, acima das gamas Neo QLED e lado a lado com TVs mais extremas como Micro LED, mas com outra filosofia de preço/escala.
Cor, brilho e certificação BT.2020
O grande argumento de venda é a cor: a Samsung afirma que estes Micro RGB conseguem cobrir 100% do espaço de cor BT.2020, que é o padrão HDR mais amplo usado em cinema e em masterização de conteúdo de alta gama, algo que praticamente nenhum televisor de consumo atual cumpre totalmente. Essa capacidade de cor máxima é certificada pela VDE (uma entidade de testes alemã), sob o rótulo “Micro RGB Precision Color 100”, que é agora o nome oficial do standard interno de cor da Samsung para esta linha.
Na prática, isto quer dizer que conteúdos HDR bem masterizados (filmes 4K HDR, streaming de alto bitrate, consolas next‑gen, etc.) devem aparecer com cores mais próximas do que o criador tinha em mente num monitor de estúdio BT.2020, sobretudo em tons difíceis como vermelhos saturados, verdes muito vivos e gradientes de cor complexos. A própria Samsung fala em “quase monitor de broadcast” em termos de precisão, ou seja, algo pensado tanto para consumo como, potencialmente, para quem faz edição ou pós‑produção a um nível mais entusiasta.
Processamento de imagem e IA
Para além do hardware de luz de fundo, esta linha aposta forte no processamento com IA: inclui o “Micro RGB AI Engine Pro”, um processador dedicado para analisar o conteúdo frame a frame e ajustar nitidez, brilho, contraste e cor em tempo real. Dentro desse guarda‑chuva, a Samsung destaca funções como o Micro RGB Color Booster Pro e Micro RGB HDR Pro, pensadas para puxar ainda mais pelas cores vivas e pelo alcance dinâmico sem esmagar sombras ou rebentar highlights.
Estes TVs também trazem funções que já se começaram a ver noutras gamas altas da marca, como 4K AI Upscaling Pro e AI Motion Enhancer Pro, para tentar limpar ruído, suavizar movimentos rápidos (desporto, jogos) e melhorar fontes de baixa resolução. Além disso, integram a plataforma “Vision AI Companion”, um sistema multi‑agente com LLM, que inclui coisas como Bixby com conversação mais natural, geração de wallpapers e até integração com apps mais avançadas, ao estilo de um hub inteligente de IA na TV.
Som, antirreflexo e extras “premium”
Em termos de áudio, a Samsung combina estas TVs Micro RGB com Dolby Atmos, Adaptive Sound Pro e suporte para Q‑Symphony, para sincronizar os altifalantes internos com soundbars compatíveis da marca e criar um palco sonoro mais amplo e coerente. Há também menção a um novo formato de som espacial, Eclipsa Audio, que a Samsung quer expandir pela gama, embora ainda não haja pormenores técnicos completos do lado das normas abertas.
Outra peça importante é o tratamento de reflexos: estes modelos incluem a tecnologia “Glare Free” da Samsung, pensada para reduzir brilharões e reflexos fortes em salas muito iluminadas, mantendo legibilidade sem aquele aspecto baço exagerado. Juntando a isso o brilho potencialmente mais alto da Micro RGB face a OLED e a Mini LED comum, é uma linha que claramente aponta para salas reais, com janelas, luz ambiente e tudo, não só para caves totalmente escuras à la cinema.
LG entra na mesma guerra com Micro RGB Evo
Do outro lado, a LG também já confirmou que vai levar Micro RGB para a CES 2026, com uma linha chamada Micro RGB Evo (modelo MRGB95), em tamanhos de 75, 86 e 100 polegadas. Tal como a Samsung, a LG promete 100% de cobertura BT.2020 (e ainda DCI‑P3 e Adobe RGB) com certificação da Intertek, posicionando estes TVs como ideais tanto para cinema HDR como para trabalhos visuais mais sérios.
Os LG Micro RGB Evo usam o processador α11 AI Processor Gen 3 com um “dual AI engine” e funções de upscaling duplo (Dual Super Upscaling), pensadas para melhorar nitidez e reduzir artefactos. No fundo, tens as duas gigantes coreanas a empurrar a mesma mensagem: LCD ainda tem muito para dar se lhe meteres retroiluminação RGB microscópica + processamento IA pesado, aproximando‑se de OLED em precisão, mas com mais brilho e sem burn‑in.
Preços e disponibilidade na Europa
E agora o ponto que dói: o preço. O único valor concreto que se conhece até agora é o da TV Micro RGB de 115 polegadas da Samsung, lançada antes desta expansão de gama, que anda perto dos 30 000 dólares, valor que também aparece em comparações com TVs gigantes da Hisense com tecnologias parecidas. Nem a Samsung nem a LG divulgaram ainda preços finais para as versões de 55″ a 100″, apenas indicaram que estes modelos vão estar no topo absoluto das respetivas gamas, acima dos Mini LED e, muitas vezes, até dos OLEDs mais caros.
Para Portugal e para o resto da Europa, já existe pelo menos um modelo Micro RGB de 115″ da Samsung listado no site português, com foco claro em BT.2020 total e certificação VDE, colocado como produto ultra‑premium, o que reforça a ideia de que a gama 2026 também chegará cá, mas a preços claramente de “sonho de entusiasta”. Em comunicado global e em variantes regionais (incluindo Europa/UK), a Samsung indica que a nova linha Micro RGB de 55″ a 115″ será lançada em 2026, com mais detalhes de preço e datas concretas de disponibilidade prometidos para depois da apresentação na CES 2026.
Ainda não há tags oficiais em euros nem datas exatas de chegada às lojas portuguesas, só a janela “durante 2026”, o que é normal nesta fase pré‑CES. Mas tudo aponta para que, quando estes modelos aparecerem nas lojas europeias, os preços das versões mais pequenas (55″–65″) fiquem bem acima das Neo QLED topo de gama, provavelmente na ordem de vários milhares de euros, enquanto as 100″+ continuarão na liga dos 20–30 mil € ou mais, dependendo de impostos e posicionamento final por mercado.