CES 2026: IA em todo o lado, novos chips, TVs mais brilhantes e carros mais inteligentes – tudo o que podes esperar em janeiro

Escrito por Pedro
27 de Dezembro, 2025

A CES 2026 vai ser, mais do que nunca, o palco onde a tecnologia do dia a dia se cruza com inteligência artificial em tudo: PCs, TVs, carros, robótica, casa inteligente, saúde e muito mais. Em vez de “AI como buzzword”, a grande tendência é “AI como infraestrutura”, embutida em praticamente todos os produtos, do portátil ao aspirador‑robô.
Vai ser um artigo longo, em português de Portugal, num tom mais descontraído, para ficar como um verdadeiro guia do que podes esperar ver a rebentar em notícias assim que as keynotes começarem em Las Vegas.
Processadores, portáteis e IA “no próprio dispositivo”
Uma das grandes estrelas da CES 2026 vai ser a nova vaga de processadores, não só mais rápidos, mas com NPUs (unidades de processamento neural) muito mais poderosas para IA local. A ideia é correres funcionalidades inteligentes (tradução, resumo, assistentes, visão computacional) diretamente no portátil, sem depender tanto da cloud.
O que é esperado das grandes marcas de chips:
- Intel
- Apresentar a geração Core Ultra 300 “Panther Lake”, com o novo processo 18A, focado em eficiência e NPUs de 5.ª geração para tarefas de IA sempre ativas com menos consumo.
- Muitos portáteis novos com estes chips, incluindo máquinas finas com GPUs dedicadas da NVIDIA série 50 para gaming, criação de conteúdo e IA local.
- AMD
- Mostrar os Ryzen AI 400 “Gorgon Point”, com núcleos Zen 5 e gráficos RDNA 3.5, com forte ênfase no desempenho de IA e suporte a tecnologias tipo FSR (agora só “AMD FSR”, mais focada em IA) para gaming e upscaling.
- Portáteis com grande foco no equilíbrio entre desempenho, autonomia e capacidades de IA em tarefas do dia a dia.
- Qualcomm
Para quem está em Portugal ou no resto da Europa, isto traduz‑se em:
- Uma enchente de portáteis novos durante 2026, muitos deles já à venda por cá nos meses a seguir à CES, com preço a partir de gamas mais acessíveis até ultrabooks premium em torno dos 1 000–2 000 € (dependendo da marca e specs).
- Cada vez mais marketing à volta de “AI PC” / “PC com IA dedicada”, a sublinhar o NPU como novo argumento de venda.
TVs, ecrãs e monitores: brilho absurdo, cores BT.2020 e taxas insanas
Se há coisa que nunca falta na CES, são TVs a brilhar mais do que o sol. Em 2026, a tendência é:
- Mais brilho e maior fidelidade de cor, com foco em cobrir (ou aproximar‑se muito) de 100% do espaço de cor BT.2020, algo que até agora era alvo, mas raramente alcançado.
- Novas gerações de OLED e Mini‑LED, com mais zonas de escurecimento, filtros de cor melhorados e novas tecnologias proprietárias de cada marca.
Alguns pontos fortes que se esperam:
- Dolby Vision 2 e HDR10+ Advanced
- LG e Samsung
- TCL e outras marcas “value”
- A TCL já anunciou que vai mostrar Mini‑LED com tecnologia SQD‑Mini LED, com mais zonas, melhor gamut, menos “color crosstalk” e forma mais fina, além de TVs gigantes e AR glasses.
- A estratégia é clara: TVs muito competitivas em preço vs. performance, o que costuma resultar em modelos interessantes em € para o mercado europeu.
- Monitores 1000 Hz
Tudo isto, com o tempo, tende a chegar à Europa e a Portugal via retalhistas, com preços que variam muito:
- TVs Mini‑LED grandes (65–75″) de gama média/alta costumam andar entre os 800–2 000 € por cá, dependendo da marca, enquanto topos OLED/Micro LED ainda jogam bem acima disso.
- Monitores “normais” vão herdar parte destas inovações (painéis melhores, mais brilho, melhor cor) sem necessariamente atingir os 1000 Hz.
Casa inteligente, robôs, aspiradores e gadgets com IA por todo o lado
Outro grande eixo da CES 2026 é a IA a tomar conta da casa, com foco em robôs, eletrodomésticos e smart home mais “inteligente” e menos gimmick.
Robôs e “humanoides”
Fala-se de:
- Robôs humanoides e modulares mais maduros, pensados para logística, apoio em casa, assistência em tarefas específicas.
- Soluções de robótica industrial e doméstica com IA para navegação, manipulação de objetos e interação natural com humanos.
Não significa que em 2026 vais comprar um “robô mordomo” no shopping, mas vai haver muita demonstração de para onde a coisa caminha.
Aspiradores‑robô e limpeza inteligente
Depois de 2025 ter sido o ano de máquinas como o Roborock Saros Z70, com braços retráteis, e o Dreame X50, capazes de subir obstáculos, a Engadget espera que isto se torne tendência.
Na CES 2026 devemos ver:
- Robôs aspiradores e mopas com melhor navegação, detecção de objetos, pernas/rodas mais capazes para subir desníveis e estações de base ainda mais completas.
- Modelos com mais IA a bordo para reconhecer divisões, padrões de sujidade e rotinas de limpeza adaptadas aos hábitos da casa.
No contexto europeu/português, estas máquinas normalmente acabam por chegar cá em ciclos de 3–9 meses após anúncio, com preços que vão desde os ~300–400 € na gama de entrada até 1 000–1 500 € nos modelos ultra topo com base de lavagem, secagem e esvaziamento automático.
Smart home e IoT com IA
- Mais câmaras de vigilância, campainhas, fechaduras inteligentes e sensores com IA local para distinguir pessoas, animais, carros, etc., evitando falsos alarmes.
- Integração melhorada com Matter e outras normas para facilitar a vida a quem já anda cheio de apps diferentes em casa.
Carros, mobilidade e “AI no tablier”
A CES deixou há muito de ser só “gadgets de bolso” e tornou‑se também numa espécie de mini salão automóvel focado em tecnologia. Em 2026, a aposta é fortíssima em:
Carros eléctricos, concept EVs e robotáxis
- Hyundai, Sony Honda Mobility, Waymo, Zoox e outros devem mostrar conceitos e evoluções na área de EVs e robotáxis.
- Continuar a tendência de carros com cada vez mais integração digital, desde sistemas de infoentretenimento recheados de IA até condução assistida avançada.
Para o utilizador europeu, muita desta tecnologia demora a chegar em massa, mas:
- Vês nestes protótipos o que vai chegar aos carros vendidos na Europa nos próximos anos (assistentes de voz nativos, dashboards mais inteligentes, integração com casa e smartphone, etc.).
- Robotáxis e condução autónoma “total” ainda estão presos em legislação e testes, mas vão estar em forte destaque em Las Vegas.
IA no tablier e segurança
- Sistemas que aprendem os teus hábitos de condução, rotas favoritas, horários e antecipam necessidades: clima, rota, música, alerta de manutenção, etc.
- IA a analisar o ambiente para reforçar segurança: deteção de peões, ciclistas, situações de risco, com alertas mais inteligentes e intervenções autónomas em alguns casos.
Saúde digital, wearables e realidade mista
Outro grande foco identificado para a CES 2026 é a combinação de digital health com wearables mais inteligentes e novas formas de interação (XR, AR, óculos inteligentes).
Saúde e bem‑estar
Devemos ver:
- Wearables com sensores mais avançados: monitorização de sono, stress, ritmo cardíaco, monitorização menstrual, possivelmente mais padrões de detecção de arritmias ou apneia.
- Dispositivos médicos de consumo com IA que ajudam a interpretar dados, sugerir ajustes de estilo de vida e, em alguns casos, recomendar consulta médica com base em padrões suspeitos.
Nem tudo disto chega logo com certificação médica na Europa, mas muitas destas funções acabam por ser introduzidas em smartwatches e smart bands android/iOS que depois compramos cá nas lojas.
Óculos XR, AR e gadgets “ai‑wearable”
- Óculos XR/AR mais leves, focados em notificações, áudio, assistentes com IA e overlays discretos, em vez de tentar substituir o smartphone por completo.
- Formatos híbridos (óculos com foco em áudio, estilo “Hearables + AR”), que podem começar a aparecer em versões de consumo em torno de 200–400 € na Europa, dependendo da marca.
IA como “infraestrutura invisível”
Um fio condutor que vários artigos destacam é que a IA na CES 2026 já não vai ser tanto “olha esta demo de IA” e mais “isto tem IA por baixo, mas o que interessa é o que faz”.
Alguns exemplos práticos:
- Portáteis com tradução em tempo real, resumo de documentos, geração de texto/imagem em apps locais, sem precisar de enviar tudo para servidores externos.
- TVs que ajustam automaticamente imagem e som com base não só no conteúdo, mas na sala, na hora do dia e nas preferências da pessoa.
- Aspiradores‑robô que aprendem a tua rotina (por exemplo, saber que horas estás fora) e ajustam limpezas para te incomodar o mínimo possível.
- Carros que “conversam” contigo de forma mais natural e conseguem fazer tarefas mais complexas a partir de comandos de linguagem.
Ou seja, a IA deixa de ser “feature da moda” e passa a ser aquilo que torna o produto mais útil, mas muitas vezes nem aparece em letras gigantes na caixa.