Dell XPS renasce em 2026: o regresso em força da linha de portáteis mais icónica da marca

Pedro

Escrito por Pedro

6 de Janeiro, 2026

crédito Sam Rutherford para o Engadget

A Dell deu o braço a torcer: matar a marca XPS foi um erro, e 2026 marca o grande regresso destes portáteis como a linha de topo para consumidores, com novos XPS 13, 14 e 16 totalmente redesenhados. A marca promete simplificar nomes, corrigir decisões irritantes (tipo teclas tácteis e trackpads estranhos) e voltar a focar-se em fazer máquinas excelentes, bem ao estilo dos XPS “praticamente perfeitos” de 2020.​

O que aconteceu à marca XPS

Durante mais de uma década, XPS significou portáteis finos, bem construídos e com desempenho de topo, ao ponto de aparecerem constantemente nos tops de melhores portáteis Windows. Em vez de capitalizar essa reputação, a Dell decidiu substituir a designação XPS por “Premium”, uma palavra genérica que não acrescentava nada e, na prática, deitava fora anos de valor de marca já bem estabelecido.​

A ideia da Dell era simples: “Premium” soa a bom, logo o cliente percebe que está a comprar algo de gama alta. O problema é que XPS já queria dizer exactamente isso e muito mais, com um historial de críticas excelentes, incluindo os modelos à volta de 2020 que chegaram a ser descritos como praticamente perfeitos. Em vez de clarificar a gama, a Dell acabou por reduzir a personalidade dos seus melhores portáteis a um rótulo genérico e pouco memorável.

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Porque é que a estratégia “Premium” falhou

A Dell justificou a mudança com a promessa de tornar a linha de produtos mais simples, mas o efeito foi precisamente o contrário. Ao mesmo tempo que matou o XPS, criou as linhas Dell Pro e Pro Max, pensadas para empresas e sectores profissionais (como primeiros respondentes e educação), o que acabou por confundir consumidores que associam “Pro” a produtos para utilizadores avançados, como acontece com os MacBook Pro ou iPhone Pro Max.​

Para piorar, a Dell eliminou muitos modelos de entrada de gama e orçamento, empurrando mais pessoas para máquinas de gama média “Plus” ou para esperar por redesenhos dos portáteis Premium, que só estavam previstos para 2026. A combinação de nomes genéricos, linhas Pro focadas em empresas e menos opções acessíveis criou um portefólio mais difícil de perceber, exactamente o oposto do que a Dell prometera quando mexeu nos nomes.​

O plano para 2026: XPS 13, 14 e 16

A partir de 2026, a Dell quer construir o portefólio de PCs mais abrangente de sempre, com uma linha completa de portáteis XPS no topo da oferta para consumidores. Está previsto um novo XPS 13 que será o modelo mais fino e leve de sempre da marca, acompanhado de revisões profundas dos XPS 14 e XPS 16.​

Numa apresentação à imprensa, a Dell chegou a mostrar um slide com dois espaços adicionais reservados para futuros modelos XPS, sinal de que a família ainda vai crescer mais para lá destes três tamanhos já confirmados. A marca não permitiu que o protótipo do XPS 13 fosse fotografado, limitando‑se a mostrar um teaser para o CES, o que indica que ainda está a afinar o design antes de o mostrar ao público em detalhe.​

Mudanças de design: menos gimmicks, mais usabilidade

Um dos pontos mais interessantes é que a Dell está a reconhecer críticas concretas aos XPS dos últimos anos e a voltar atrás em algumas decisões de design pouco populares. Entre essas mudanças está o abandono dos trackpads totalmente em vidro sem separação visível, que muitos utilizadores consideravam menos precisos ou intuitivos do que os touchpads segmentados tradicionais.​

Outra alteração importante é a substituição das teclas de função capacitivas por teclas físicas “à antiga”, algo que muita gente pedia por ser mais fiável e fácil de usar em situações reais, sem ter de lidar com zonas tácteis inconsistentes. No conjunto, a Dell não está só a relançar a marca XPS; está a encarar esta fase como uma espécie de “revenge tour”, corrigindo escolhas que ela própria admite terem sido um tiro no pé.​

Nova organização interna e simplificação de marcas

A nível interno, a Dell também está a mexer na forma como gere os produtos de consumo. A equipa responsável por dispositivos para consumidores passa a responder directamente ao COO Jeff Clarke, o que mostra que a empresa quer colocar mais foco estratégico nesta área enquanto se reorganiza.​

Em termos de marcas, XPS volta a ser a linha flagship para consumidores, com o logótipo XPS em destaque na tampa dos portáteis, ao invés do logo genérico da Dell. Tudo o resto ficará sob a marca Dell “normal”, enquanto a Alienware continua como marca independente de gaming e a família Dell Pro será claramente posicionada para empresas, serviços profissionais e educação, reduzindo assim a confusão entre gamas.​

Uma correção rara: admitir o erro e seguir em frente

Na apresentação em que anunciou o regresso da XPS, Jeff Clarke foi bastante directo ao reconhecer que a mudança anterior acabou por ser um erro que não trouxe os benefícios esperados. A empresa não só perdeu a força de uma marca icónica como introduziu elementos que tornaram o portefólio mais difícil de perceber para o consumidor normal, o que contraria a lógica de um catálogo “simplificado”.​

A mensagem que fica agora é simples: “great products win”, ou, em bom português, produtos realmente bons acabam por vencer. Mais do que slogans, isto implica que a Dell se foque novamente no que fez os XPS ganhar destaque: design cuidado, engenharia sólida e desempenho consistente em vez de experiências de branding e decisões de design discutíveis.​

Autor

  • Amante de tecnologia no geral e de wearables. Viveu o melhor dos dois mundos, do analógico ao digital. A utilização da Apple mudou a sua perspectiva pela tecnologia contudo ainda vive em vários mundos, android, Apple, Windows e Linux.