Lego Smart Brick: o tijolo inteligente que vai revolucionar o jogo físico no CES 2026

Escrito por Pedro
6 de Janeiro, 2026

A Lego acabou de revelar no CES 2026 o Lego Smart Brick, um tijolo 2×4 normal em termos de tamanho, mas cheio de tecnologia para tornar os sets interativos e “conscientes” do que estás a construir e de como brincas com eles. Este tijolo faz parte da nova plataforma Smart Play, que inclui também Smart Minifigures e Smart Tags, todos a comunicarem entre si sem necessidade de apps ou ligação à internet.
O que é o Lego Smart Brick
O Smart Brick é um tijolo clássico 2 x 4, mas com um chip e vários sensores lá dentro para dar “vida” às construções.
- Tem um chip ASIC de 4,1 mm, mais pequeno do que um pino normal de uma peça Lego, que corre algo chamado Play Engine.
- Este Play Engine consegue detetar movimento, orientação e campos magnéticos, permitindo ao tijolo perceber o que está a acontecer à volta.
- O tijolo traz ainda um pequeno altifalante integrado, um acelerómetro e uma matriz de LEDs, tudo dentro de um único bloco.
A ideia é que o tijolo deixe de ser apenas uma peça estática e passe a reagir em tempo real à forma como mexes, abanas, rodas ou combinas as peças na construção.
Como funciona a tecnologia por dentro
Aqui é onde a coisa fica mesmo interessante: os Smart Bricks conseguem “sentir” uns aos outros e comunicar diretamente, sem precisarem de telemóvel, app ou Wi-Fi.
- Graças a bobinas de cobre integradas, o Smart Brick consegue detetar distância, direção e orientação de outros Smart Bricks que estejam perto.
- Ele deteta estes parâmetros através de campos magnéticos e do tal sistema de medição de posição de vizinhança (Neighbor Position Measurement) criado pela Lego.
- O altifalante não serve só para tocar sons genéricos: a Lego diz que o áudio é “ligado a ações de jogo em tempo real”, ou seja, reage ao que estás mesmo a fazer naquele momento.
Isto tudo é coordenado por um sistema local chamado BrickNet, baseado em Bluetooth, que permite que os vários Smart Bricks “conversem” diretamente. Não há aqui aquela dependência de apps, tablets ou ligações online que muitas vezes matam a magia da brincadeira tradicional.
Smart Tags, Smart Minifigures e BrickNet
Além do tijolo principal, o ecossistema Smart Play inclui também Smart Tags e Smart Minifigures, que funcionam como “identidades digitais” dentro do mundo físico de Lego.
- A Smart Tag é uma tile 2 x 2 sem studs, com um ID digital embutido, que o Smart Brick consegue ler através de comunicação magnética de curto alcance.
- Esta tecnologia é parecida com NFC, mas não está confirmado se é compatível com dispositivos NFC normais como smartphones.
- As Smart Minifigures trazem igualmente um ID digital legível via NFC ou tecnologia semelhante, permitindo ao Smart Brick saber exatamente qual a minifigura que está por perto.
O resultado prático é que o set pode reagir de forma diferente consoante a minifigura que colocas numa nave, num veículo ou numa base, sem que precises de configurar nada manualmente. Tudo isto é ligado através do BrickNet, a camada sem fios que a Lego criou para manter a comunicação entre todas estas peças.
Energia, bateria e carregamento
Claro que, com tanta eletrónica escondida, estes tijolos precisam de energia, mas a Lego parece ter pensado no lado prático.
- A marca afirma que as baterias dos Smart Bricks continuam funcionais mesmo após “anos” sem serem usadas.
- Os tijolos podem ser carregados sem fios, em conjunto, num pad de carregamento partilhado, graças às bobinas internas.
- Os primeiros sets vêm com pelo menos um Smart Brick e o respetivo carregador incluído, o que evita ter de comprar o carregador à parte logo à partida.
Para quem tem crianças (ou para quem é adulto e vive a guardar sets na prateleira), a ideia de pegar num set ao fim de bastante tempo e ele ainda funcionar sem dramas de bateria é um ponto forte.
Primeiros sets: Lego Star Wars com Smart Play
Para estrear o sistema Smart Play, a Lego foi logo buscar o parceiro mais forte: Star Wars.
- Serão lançados três sets “all-in-one” de Star Wars que trazem um Smart Brick, um pad de carregamento, pelo menos uma Smart Tag e pelo menos uma Smart Minifigure.
- Pelas imagens de imprensa, estes sets parecem ser relativamente pequenos, focados mais em miúdos do que nos habituais sets de 1.000+ peças para adultos colecionadores.
- A pré‑venda abre a 9 de janeiro, e o lançamento oficial destes sets está marcado para 1 de março de 2026.
Ainda não foi divulgado o preço, mas a Lego prometeu revelar os valores quando abrirem as pré‑encomendas. Sendo Lego + Star Wars + tecnologia nova, é realista esperar preços nada modestos, mas ainda não há números oficiais para converter para euros com segurança.
Disponibilidade e preços na Europa / Portugal
Do que foi comunicado até agora, estes sets vão ser lançados globalmente como parte da apresentação no CES 2026, o que normalmente inclui mercados europeus como Portugal, através da loja oficial online e de retalhistas parceiros. No entanto, o artigo não especifica países ou regiões, apenas datas globais de pré-venda e lançamento.
- Data de pré‑encomenda: 9 de janeiro de 2026.
- Lançamento oficial dos primeiros sets: 1 de março de 2026.
- Informação de preços: ainda não revelada; será conhecida quando abrirem as pré‑encomendas.
Assim que a Lego divulgar os preços, será possível saber os valores em €, bem como confirmar diretamente se há disponibilidade imediata em Portugal através da Lego.com PT ou lojas físicas habituais.
Porque é que isto é tão diferente do que a Lego já fez
A Lego já experimentou coisas digitais antes (Mindstorms, Powered Up, Hidden Side, etc.), mas o Smart Brick segue uma filosofia diferente, muito mais integrada e menos dependente de ecrãs.
- Não há necessidade de app, internet ou controlador externo: os próprios tijolos gerem a experiência.
- A interação é local e imediata: os Smart Bricks “falam” uns com os outros via BrickNet e sensores, para reagir ao que se passa na construção.
- A modularidade é enorme, porque isto é tudo construído em cima do formato de tijolo 2 x 4 mais clássico de sempre.
Isto abre portas a sets que reagem a colisões, movimentos, proximidade de naves, presença de certas minifiguras, e por aí fora, tudo sem parecer um brinquedo eletrónico separado do resto do universo Lego.
Potenciais usos e experiências de jogo
Com a combinação de sensores, áudio e identificação de peças, dá para imaginar alguns tipos de experiências que a Lego (ou até fãs no futuro) podem explorar.
- Naves ou veículos que mudam de som conforme a velocidade com que os moves, ou quando “disparam” ao serem sacudidos.
- Estruturas que reagem quando aproximas uma Smart Minifigure específica, desbloqueando sons ou efeitos de luz particulares.
- Sets cooperativos onde vários Smart Bricks em zonas diferentes do cenário comunicam eventos entre si (por exemplo, uma porta que só abre quando outra parte da construção sofre determinada ação).
É difícil visualizar totalmente como tudo isto se junta na prática, e que o objetivo é ver demonstrações ao vivo no CES para perceber melhor o comportamento do Smart Play em ação.
Limitações e dúvidas em aberto
Apesar do entusiasmo, ainda há algumas questões importantes que ficam por responder neste momento.
- Não se sabe se a tecnologia de Smart Tags e Smart Minifigures é compatível com NFC padrão de telemóveis ou outros dispositivos, ou se é totalmente proprietária.
- Não há ainda qualquer detalhe sobre preço, o que é fundamental para perceber se isto vai ser uma curiosidade premium ou algo que possa generalizar-se a muitos sets.
- Também não é claro até que ponto este sistema será aberto para criadores avançados, por exemplo, se vai haver APIs, ligação a apps futuras ou integração com outros sistemas Lego tecnológicos.
Isto é provavelmente o maior passo da Lego na direção de brinquedos conectados em toda a sua história, pelo nível de tecnologia integrada diretamente no formato clássico de peça.