Dolby Vision 2: tudo o que precisas de saber sobre a nova geração de HDR nas TVs de 2026

Pedro

Escrito por Pedro

10 de Janeiro, 2026

Dolby Vision 2

Dolby Vision 2 é a nova geração do sistema de imagem da Dolby que promete melhorar brilho, cores, movimento e adaptação à luz ambiente, especialmente em cenas escuras e em desporto/jogos. Vai começar a chegar ainda em 2026, primeiro a algumas TVs da Hisense, TCL e Philips (TP Vision) e a conteúdos em streaming no Peacock.​

O que é afinal o Dolby Vision 2?

Dolby Vision 2 é a evolução do atual Dolby Vision, pensada para tirar partido da potência de processamento e da qualidade de imagem das TVs mais recentes, sobretudo MiniLED e OLED de gama média/alta.​

Em vez de ser só “mais HDR”, Dolby Vision 2 funciona como um motor de imagem completo que faz três coisas principais:

  • Reconhece o tipo de conteúdo e ajusta a imagem em tempo real (filme, série, desporto, jogos, etc.).​
  • Adapta a imagem à luminosidade da sala, usando o sensor de luz da TV.​
  • Otimiza o mapeamento de tons (tone mapping) e o movimento para parecer mais natural.​

A Dolby apresentou esta nova versão em setembro e deu a primeira grande demonstração pública na CES 2026, mostrando diferenças lado a lado face ao Dolby Vision atual.​

Principais melhorias na imagem

Aqui é onde a coisa começa a ficar interessante para quem gosta de filmes, séries e gaming com boa qualidade de imagem.

1. Conteúdos escuros mais visíveis

Um dos objetivos do Dolby Vision 2 é resolver a velha queixa de “as cenas estão demasiado escuras, não vejo nada”.​

  • O sistema faz reconhecimento do conteúdo e ajusta o brilho e o contraste com mais inteligência, sem simplesmente “levantar o preto” e estragar o aspeto cinematográfico.​
  • Em cenas escuras, a ideia é revelar mais detalhe nas zonas sombrias, mas mantendo o look do realizador o mais intacto possível.​

2. Adaptação à luz ambiente

Dolby Vision 2 passa a usar de forma mais agressiva o sensor de luz da TV para ajustar a imagem às condições da sala.​

  • Se estiveres a ver um filme HDR numa sala muito iluminada, o motor de imagem compensa para evitar que a imagem pareça “lavada” ou demasiado escura.​
  • À noite, com luz mais baixa, os ajustes mudam para preservar melhor o contraste e o detalhe, sem cansar os olhos.​

Isto significa que duas pessoas com a mesma TV podem ter uma experiência diferente se uma estiver numa sala cheia de luz natural e outra num quarto escuro – e isso é intencional.

3. Novo tone mapping (cores e brilho)

Um dos pontos que os jornalistas destacaram na CES foi o novo mapeamento de tons, que na prática melhora bastante as cores e a forma como os picos de brilho são apresentados.​

  • As cores passam a ser mais precisas e mais estáveis, mesmo em cenas complicadas com muitas luzes fortes, néons, fogo, explosões, etc.​
  • A forma como a TV “decide” o que mostrar dentro da faixa de brilho HDR é mais inteligente, usando melhor o que o painel consegue fazer.​

Segundo as demonstrações, esta parte foi considerada a maior diferença visível entre o Dolby Vision atual e o Dolby Vision 2.​

4. Authentic Motion: suavidade sem “efeito novela”

Outra novidade é o modo Authentic Motion, pensado para dar suavidade ao movimento sem cair no odiado “efeito novela” (soap opera effect).​

  • O objetivo é eliminar judder e movimentos aos solavancos, sobretudo em panorâmicas e em desporto.​
  • Mas a Dolby garante que a quantidade de suavização é “a certa” para continuar com um aspeto cinematográfico e não artificial.​

Isto pode ser particularmente útil para:

  • Filmes com câmaras em movimento lento, onde o judder se nota muito.
  • Desporto, onde queres ver tudo fluido, mas sem parecer um vídeo de telejornal.
  • Jogos, quando a TV está a receber um sinal com framerate irregular.

TVs que vão suportar Dolby Vision 2

Para já, o suporte vai ser relativamente limitado, especialmente no início de 2026, e sobretudo em gamas mais recentes e de gama média/alta.​

Marcas confirmadas em 2026

De acordo com o que foi mostrado na CES 2026, estas são as primeiras fabricantes a confirmar suporte:​

  • Hisense
    • Dolby Vision 2 chega às TVs MiniLED RGB de 2026, incluindo as séries UX, UR9 e UR8.​
    • A marca planeia ainda levar o DV2 a mais TVs MiniLED via atualização OTA (over-the-air), pelo menos dentro da gama 2026.​
  • TCL
    • As séries X QD-Mini LED 2026 e C Series 2026 vão receber Dolby Vision 2 através de futura atualização.​
    • Estas são gamas de topo/média-alta, por isso é de esperar preços competitivos face a OLED, mas ainda assim não serão modelos de entrada.​
  • Philips / TP Vision
    • Vai ser integrado nos OLED de 2026, incluindo as séries Philips OLED811, OLED911 e o flagship OLED951.​
    • Em Portugal, Philips OLED costuma estar disponível oficialmente, portanto estas gamas devem chegar ao mercado europeu (e português) durante 2026, com preços a partir de valores aproximados aos atuais OLED de gama média-alta (normalmente na casa dos 1 500–2 500 € para tamanhos de 55–65″ quando começam a descer após lançamento).​

E as outras marcas?

  • Sony
    • Ainda não revelou nada, porque já não apresenta novas TVs na CES, preferindo anúncios noutras alturas do ano.​
    • Sendo uma marca que já apoia Dolby Vision há anos, é bastante provável que apareçam modelos com suporte DV2 em 2026 ou 2027, mas ainda sem confirmação oficial.​
  • Outras fabricantes
    • A expectativa é que ao longo de 2026 mais marcas anunciem suporte, especialmente em modelos que já incluam sensor de luz ambiente e processadores mais recentes.​
    • Qualquer TV que queira tirar partido de todas as funcionalidades do Dolby Vision 2 tem de ter, obrigatoriamente, sensor de luz ambiente, já que essa adaptação faz parte do núcleo da experiência.​

Disponibilidade na Europa

Como as gamas referidas (Hisense MiniLED UX/UR9/UR8, TCL X e C Series 2026, Philips OLED 2026) são linhas de lançamento global, a Europa está incluída no roadmap de 2026, e marcas como Philips/TP Vision têm forte presença no mercado português.​

  • TVs Philips OLED 2026 com DV2 deverão chegar oficialmente a Portugal ao longo de 2026 através dos canais habituais (retalho físico e online).​
  • Hisense e TCL também têm distribuição em Portugal, pelo que as gamas MiniLED 2026 com Dolby Vision 2 deverão aparecer nas lojas portuguesas, embora os prazos concretos dependam de cada distribuidor nacional.​

Não há ainda preços oficiais detalhados para Portugal, mas, pela posição de gama, é expectável que as TVs com Dolby Vision 2 se situem, no lançamento, nos segmentos médio/alto a topo, com valores frequentemente superiores a 1 000 € para diagonais de 55″ e acima, como acontece hoje com MiniLED e OLED avançados na Europa.​

Conteúdos e streaming com Dolby Vision 2

Ter a TV compatível é só metade da história; a outra metade é o conteúdo que vai tirar partido do novo standard.

Primeiro serviço de streaming com DV2

Na CES 2026, a grande novidade na área de conteúdos foi:​

  • Peacock
    • Primeiro serviço a anunciar suporte para Dolby Vision 2, além de Dolby Atmos em mais transmissões de desporto ao vivo.​
    • Vai usar o DV2 especialmente em eventos desportivos, o que faz sentido devido às melhorias em movimento e adaptação à luz ambiente.​

Peacock ainda não está oficialmente disponível em Portugal ou na maior parte da Europa continental; é focado sobretudo nos EUA, o que significa que, no início, os utilizadores europeus vão aproveitar Dolby Vision 2 sobretudo em conteúdos HDR “normais” que a TV processa com o novo motor, mesmo quando o stream esteja “só” em Dolby Vision tradicional.​

Outros serviços com Dolby Vision (versão atual)

Vários serviços já suportam o Dolby Vision atual, e é natural que a transição para Dolby Vision 2 se faça do lado do dispositivo (TV/box), sem precisares de uma nova versão da app, pelo menos para algumas funcionalidades.​

Serviços que hoje já usam Dolby Vision “clássico”:

O artigo indica que é esperado que mais serviços adotem Dolby Vision 2 ao longo de 2026, mas ainda sem anúncios concretos para além do Peacock.​

Na prática, o que pode acontecer é:

  • A tua TV com DV2 pega num stream Dolby Vision “normal” e aplica o novo motor (content recognition, luz ambiente, Authentic Motion) localmente.​
  • Mais tarde, alguns serviços podem começar a sinalizar especificamente conteúdos como “otimizados para Dolby Vision 2”, com metadados mais completos, sobretudo em eventos ao vivo.​

É preciso trocar de TV? Ou vale a pena esperar?

Para quem está em Portugal e pensa comprar uma TV nova em 2026, é legítimo perguntar se vale a pena esperar por modelos com Dolby Vision 2.

Se vais comprar TV em 2026

  • Se estiveres a apontar para uma TV de gama média/alta (MiniLED ou OLED) e queres algo mais “à prova de futuro”, faz sentido considerar modelos com DV2, sobretudo de Philips, Hisense ou TCL lançados este ano.​
  • Não é só o nome Dolby Vision 2; o próprio hardware destas gamas (processador, painel, sensor de luz) tende a ser melhor que o de modelos de 2024/2025 mais baratos em promoção.​

Para já, o impacto mais visível deve ser:

  • Cenas escuras mais legíveis sem perder o look do filme.​
  • Desporto e movimentos de câmara mais suaves, sem parecer “novela”.​
  • Uma imagem mais coerente com a luz real da tua sala.​

Se já tens uma boa TV com Dolby Vision

  • A maioria das TVs atuais com Dolby Vision não deverá receber Dolby Vision 2, porque a Dolby está a posicionar isto como uma nova geração de motor e não apenas um update de firmware leve.​
  • Se tens uma OLED ou MiniLED de 2022–2025 com Dolby Vision, continuas com excelente qualidade de imagem; Dolby Vision 2 é mais um refinamento que uma revolução absoluta.​

Se só pensas trocar de TV de 6 em 6 ou 8 em 8 anos, então faz sentido, se puderes, esperar por modelos 2026 com DV2, principalmente se vês muito HDR e desporto, ou se a sala onde vês TV muda bastante de luminosidade ao longo do dia.​

Autor

  • Amante de tecnologia no geral e de wearables. Viveu o melhor dos dois mundos, do analógico ao digital. A utilização da Apple mudou a sua perspectiva pela tecnologia contudo ainda vive em vários mundos, android, Apple, Windows e Linux.