Meta prepara smartwatch com IA ainda este ano – e o objetivo pode ser mandar nos óculos

Escrito por Pedro
19 de Fevereiro, 2026

Há rumores que vivem anos a fermentar em fóruns e renders manhosos até se tornarem folclore. O “smartwatch da Meta” era um desses: aparecia, desaparecia, voltava a aparecer, e a certa altura já parecia mais uma categoria de produto do metaverso do que um objeto real.
Só que nas últimas horas a conversa ficou mais séria.
Vários sites estão a ecoar a mesma base: a Meta terá revivido o projeto de smartwatch (nome de código “Malibu 2”) e o plano é lançar ainda este ano, com monitorização de saúde e uma assistente Meta AI integrada. A Meta, por seu lado, recusou comentar.
O relógio não é a notícia. O ecossistema é.
Se isto se confirmar, não é a Meta a “descobrir” o mercado dos smartwatches em 2026, como se ninguém tivesse tido a ideia antes. É a Meta a tentar resolver um problema específico: como é que se torna natural usar óculos inteligentes todos os dias sem parecer que estamos sempre a falar com o ar (ou a lutar com o telemóvel)?
Um relógio é a peça óbvia para isso. Está sempre no corpo, vibra, dá contexto, mede coisas, e é um sítio perfeito para meter interações curtas de IA: comandos rápidos, sugestões, lembretes, controlo de captação/áudio, o básico que torna o resto “ambient” em vez de “gadget”.
A notícia até encaixa na reorganização maior do calendário de hardware: o The Verge refere que a Meta terá adiado uns óculos de realidade mista com o nome de código Phoenix para 2027, no esforço de não lançar demasiadas coisas ao mesmo tempo e baralhar consumidores.
“Malibu 2”: um nome de código com passado
Há aqui um detalhe delicioso: isto não é a Meta a começar do zero. Segundo a Reuters, a empresa explorou um smartwatch há vários anos e acabou por abandonar a ideia em 2022, durante os cortes e recuos na Reality Labs. Ou seja, o que está a acontecer agora tem cara de “ok, voltámos – mas com um objetivo mais pragmático”.
E isso é, talvez, o sinal mais interessante: menos “vamos reinventar a computação”, mais “vamos finalmente juntar as peças para isto funcionar no dia-a-dia”.
O que se sabe e que foi acumulado ao longo do tempo
Até agora, o pacote “confirmável” é curto:
- O projeto existe (segundo fontes citadas pela The Information via Reuters/The Verge).
- O relógio deverá ter health tracking.
- Deverá incluir Meta AI.
- A Meta não comentou.
Não há imagens, não há preço, não há data exata, nem promessa oficial. É o típico pré-lançamento por via de leaks credíveis: informação suficiente para o mercado reagir, pouca informação para alguém poder ser apanhado numa mentira específica.
O teste real: por que é que alguém quer um relógio da Meta?
Aqui é onde a crónica tem de dizer a parte desconfortável: a Meta não está a entrar num mercado vazio. Vai bater de frente com Apple Watch, Galaxy Watch, Garmin, Fitbit (que, ironicamente, já vive no universo Google há anos). Portanto, o relógio da Meta não pode ser “mais um”. Tem de ser o melhor companheiro para o resto do hardware Meta.
A proposta provável não é “tem o melhor ECG do mundo”. A proposta é “faz sentido com os óculos, com a IA, com o teu dia”. Se a Meta acertar nessa integração, pode criar uma categoria muito própria: um relógio que não tenta ser o centro, mas sim o comando remoto biométrico do teu ecossistema.
Se falhar, vira aquele produto que ninguém odeia, mas que ninguém recomenda. O cemitério dos wearables está cheio deles.
No fim, isto soa menos a hype e mais a estratégia
A Meta pode não ter inventado o smartwatch, mas pode estar prestes a lançar o primeiro que faz sentido dentro da sua obsessão atual: IA em todo o lado e wearables que vivem contigo.
E se 2026 está a ser o ano em que as empresas tentam convencer-nos a falar com máquinas em público, faz todo o sentido que a Meta comece pelo sítio mais discreto possível.
O pulso.