Adeus às taxas escondidas? Adobe paga milhões por “prender” clientes

Pedro

Escrito por Pedro

15 de Março, 2026

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Parece que o “casamento forçado” com a Adobe está finalmente a passar por uma sessão de terapia intensiva imposta pelo Departamento de Justiça dos EUA. Se já sentiste que cancelar o Photoshop era mais difícil do que sair de um contrato com uma operadora de telecomunicações nos anos 90, não estás sozinho.

O fim do labirinto de cancelamento?

A notícia que está a abalar o mundo criativo esta semana é o acordo de 150 milhões de dólares que a Adobe aceitou pagar para encerrar um processo judicial arrastado desde 2024. A acusação era clara: a empresa utilizava “padrões obscuros” para prender os utilizadores. Sabes aquela taxa de cancelamento pornográfica que aparecia do nada quando tentavas sair a meio do ano? Pois bem, o governo americano considerou que isso era esconder informação essencial nas letras miudinhas.

O acordo divide-se em duas fatias de 75 milhões: uma vai direta para os cofres do estado como multa, e a outra será convertida em “serviços gratuitos” para os clientes afetados. Sim, leste bem. Se foste uma das vítimas das taxas escondidas, a Adobe deverá entrar em contacto contigo em breve para te oferecer uma espécie de “ramo de flores” digital.

Transparência (à força) é o novo standard

Para além dos milhões, a Adobe foi obrigada a mudar a forma como comunica. A partir de agora, as taxas de rescisão antecipada têm de estar escarrapachadas logo no início, e não escondidas atrás de três links e um rodapé cinzento. Mais importante ainda: o processo de cancelamento tem de ser simples. Acabaram-se os labirintos de cinco páginas a perguntar “tem a certeza?” ou as esperas infinitas ao telefone com assistentes que parecem treinados para não te deixar desligar.

Embora a Adobe continue a negar qualquer irregularidade — afirmando que apenas quer “resolver o assunto” — a verdade é que esta é uma vitória enorme para quem defende o direito do consumidor no software por subscrição. É um aviso para todas as empresas de tecnologia: facilitar a entrada e dificultar a saída já não vai passar impune.

Vale a pena mudar?

Mesmo com estas melhorias na transparência, a verdade é que muitos criativos continuam a procurar alternativas como o Affinity ou o DaVinci Resolve. A relação com a Adobe tornou-se puramente funcional para muitos de nós; usamos porque “tem de ser”, mas o carinho pela marca desapareceu entre tantas atualizações de termos de serviço confusas e preços que nunca param de subir.

Se estás a pensar em cancelar agora, as boas notícias são que o caminho deverá estar mais limpo. Mas fica atento: se a Adobe te prometer o mundo para ficares, lê bem as novas letras miudinhas. Afinal, gato escaldado tem medo de água fria (e de subscrições anuais pagas mensalmente).

Autor

  • Amante de tecnologia no geral e de wearables. Viveu o melhor dos dois mundos, do analógico ao digital. A utilização da Apple mudou a sua perspectiva pela tecnologia contudo ainda vive em vários mundos, android, Apple, Windows e Linux.