Ferrari Luce: com espaço para cinco e o requinte de Jony Ive

Pedro

Escrito por Pedro

26 de Maio, 2026

Uma fotografia de visualização três quartos frontal de um crossover concept car Ferrari azul-bebê e preto, estacionado em um pátio pavimentado perto de uma garagem moderna com porta geométrica e um jardim arborizado. O carro tem rodas cinzas, pinças de freio amarelas e interior bronze.

Se passaste os últimos anos a sonhar com o tão falado (e cancelado) “Apple Car”, prepara-te para uma bela surpresa vinda diretamente de Maranello. A Ferrari revelou finalmente o seu primeiro carro totalmente elétrico, o Ferrari Luce, e adivinhem quem esteve encarregue de desenhar esta autêntica nave espacial sobre rodas? Nada mais, nada menos do que Sir Jony Ive, o lendário ex-designer da Apple, e a sua equipa da LoveFrom, em conjunto com Marc Newson.

O produto final, e as primeiras impressões são de cair o queixo – ou de levantar muitas sobrancelhas, dependendo do teu grau de purismo automóvel. Vamos mergulhar nos detalhes desta máquina que promete mudar para sempre a história da mítica marca do Cavallino Rampante. Não podíamos deixar escapar esta pérola que mistura tecnologia, design e muita potência.

Um design exterior sublime

Se estavas à espera de um supercarro rasteirinho e tradicional, podes tirar o cavalinho da chuva. O Ferrari Luce rompe completamente com o visual a que a marca nos habituou ao longo das décadas. Em vez de um desportivo clássico de dois lugares, deparamo-nos com um formato distinto que pisca o olho ao segmento e ao tamanho dos SUV.

Curiosamente, este é o primeiro carro na história da Ferrari a conseguir sentar confortavelmente cinco pessoas. Sim, ouviste bem: cinco! Embora o Purosangue já tivesse quebrado a tradição ao introduzir quatro portas num formato robusto, o Luce vai mais longe ao transformar-se num veículo familiar para quem gosta de exclusividade total (e tem uma carteira bastante recheada). A LoveFrom assumiu a responsabilidade das linhas exteriores pela primeira vez num carro completo, e o resultado é uma silhueta arrojada que, sejamos sinceros, vai gerar debates apaixonados na internet.

Portas “suicidas” e um habitáculo de luxo

Esquece a ginástica típica para entrar nos bancos de trás de um desportivo apertado. O Luce resolveu inovar no acesso à segunda fila com a introdução das chamadas “portas suicidas” (portas com dobradiças na parte traseira que abrem ao contrário). Isto não só dá um toque de glamour digno de estrela de cinema quando chegas a uma passadeira vermelha, como facilita imenso a entrada.

E porque o luxo em excesso nunca é demais nestas gamas, tens um botãozinho mágico para as portas se fecharem sozinhas, sem qualquer esforço da tua parte. A Engadget garante que o banco traseiro é bastante espaçoso, sendo o único pequeno senão a altura disponível para a cabeça, que pode ser ligeiramente limitada. De resto, os passageiros de trás são mimados com um pequeno painel de controlo tátil que inclui os mesmos botões rotativos super satisfatórios que encontramos no tablier frontal.

A filosofia apple encontra a herança Ferrari

É no interior que a influência de Jony Ive bate com mais força. O habitáculo é uma autêntica ode à perfeição meticulosa que conhecemos dos tempos áureos do iPhone. A LoveFrom introduziu a sua paixão por formas geométricas arredondadas, misturando quadrados com círculos, e focou-se intensamente em criar uma harmonia perfeita entre controlos físicos e digitais.

Em vez de espetar um tablet gigante no meio do tablier e acabar com os botões, Ive e Newson quiseram manter a experiência tátil mais viva do que nunca. O ecrã OLED central de 10,2 polegadas é rotativo e não domina o ambiente, sendo complementado por botões físicos e mecânicos que dão aquele feedback que os puristas adoram. Há detalhes deliciosos, como a chave do carro: uma peça com um painel amarelo e um ecrã e-ink (como nos e-readers) que, ao ser inserida na consola, transfere o brilho para o manípulo. É pura magia visual.

O mercado queria este carro?

Apesar do software ainda não estar totalmente funcional na altura desta primeira análise, o conceito base do Ferrari Luce já está muito bem definido. A transição de Jony Ive do mundo dos telemóveis para o asfalto é bem mais do que uma mera jogada de marketing.

O carro elétrico pode não ser o herdeiro direto do design clássico e ruidoso da Ferrari, mas representa uma evolução ousada. Se és um tech geek sedento pelas últimas inovações ou um fã de produtos de luxo, o Luce funde tecnologia de ponta e um design nostálgico. Resta agora começar a poupar… ou pensar em vender uma ilha privada para conseguir cobrir o preço desta nova fera italiana.

Autor

  • Amante de tecnologia no geral e de wearables. Viveu o melhor dos dois mundos, do analógico ao digital. A utilização da Apple mudou a sua perspectiva pela tecnologia contudo ainda vive em vários mundos, android, Apple, Windows e Linux.