Opera Neon: o browser com IA que promete o futuro da navegação (mas será bem assim?)

Escrito por Pedro
20 de Outubro, 2025

Lembras-te quando falámos no Megaverso sobre aquele browser da Opera que prometia revolucionar a navegação com inteligência artificial? Pois é — o Opera Neon finalmente chegou, e agora podemos pôr as mãos na massa para perceber se a promessa corresponde à realidade. Há meses que este lançamento era aguardado com alguma curiosidade (e uma dose saudável de ceticismo), sobretudo depois da própria Opera o ter apresentado como o primeiro “navegador agentivo”, ou seja, um browser que não se limita a mostrar páginas, mas que age, cria e até pensa contigo. Parece incrível, mas… será que vale mesmo os 19,90 $ (17,11 €) por mês que querem cobrar?
O Opera Neon mantém o estilo “futurista elegante” que a marca já domina, mas o grande diferencial está no seu cérebro digital: três inteligências artificiais distintas que trabalham (ou pelo menos tentam trabalhar) em conjunto. O Chat, o Do e o Make são os pilares deste sistema.
O Chat é o equivalente a um chatbot integrado — conversa contigo, responde a dúvidas, resume páginas e até te ajuda com ideias. O Do é o agente que executa comandos, como abrir novas abas, organizar separadores, reservar voos ou comparar preços. E o Make é o lado criativo, capaz de gerar textos, relatórios, pequenos sites e até código. Na teoria, estas três IAs deviam comunicar entre si, mas na prática a coisa ainda não flui como devia.
Segundo o The Verge, a experiência é caótica. Os três assistentes parecem não partilhar contexto — o Chat pode resumir um artigo, mas o Make não consegue continuar a partir daí, obrigando o utilizador a dar novamente toda a informação. Em vez de um ambiente inteligente integrado, o Neon parece um grupo de três bots que trabalham cada um por si.
Apesar disso, a Opera tem ambições grandes: quer que o Neon seja o primeiro navegador verdadeiramente “agentivo”, onde o browser deixa de ser passivo e passa a agir como um assistente digital completo. Esta ideia é fascinante — imagina dizer “organiza a minha viagem a Roma” e ver o browser procurar voos, reservar hotel e planear o itinerário. Mas, por enquanto, a distância entre o conceito e a execução ainda é enorme.
O que mais gerou debate, no entanto, é o preço da brincadeira. Cobrar 19,90 $ (cerca de 17,11 €) por mês por um browser em 2025 soa ousado, quando há concorrentes gratuitos como o Chrome com o Gemini, o Edge com o Copilot e browsers inovadores como o Arc ou o Brave, que já incorporam IA sem custos. A Opera defende-se dizendo que o valor serve para cobrir o acesso a modelos de IA premium (nomeadamente tecnologia OpenAI e Google), mas é difícil justificar o gasto para um produto que ainda está em fase experimental.
Ainda assim, há pontos fortes. O Opera Neon mantém o que a marca sempre fez bem: um interface minimalista e bonito, VPN gratuita, bloqueador de anúncios e uma sidebar inteligente com acesso direto a apps como o WhatsApp e Messenger. A fluidez é ótima e o desempenho geral é leve, mesmo com várias abas abertas.
Mas claro — o foco é a IA, e é aí que a discussão se complica. Usar o Neon é uma experiência que mistura fascínio e frustração. O modo Do, por exemplo, consegue realizar tarefas simples, mas tem dificuldade em decidir qual o resultado mais relevante. O Make gera textos decentes, mas por vezes parece um ChatGPT disfarçado com menos contexto. Já o Chat é funcional, mas raramente faz algo que não se consiga fazer com outras ferramentas gratuitas.
O conceito de “browser triplo com mente própria” é aliciante, e a base tecnológica é sólida. Contudo, falta polimento de integração e consistência de uso. O sonho de um navegador verdadeiramente inteligente — que compreende o contexto integral da sessão e executa ordens de forma autónoma — ainda está longe.
Se olharmos para o mercado atual, vemos que a Opera está a tentar posicionar o Neon como um produto premium — algo entre o Chrome e o Copilot do Edge, mas com mais liberdade de criação. O problema é o posicionamento de preço: pedir quase 20 dólares (17 €) mensais acaba por colocá-lo em concorrência direta com ferramentas de produtividade avançadas, não com navegadores. É um salto arriscado.
No Megaverso, quando falámos pela primeira vez do Opera Neon, já tínhamos previsto que o futuro dos browsers passaria inevitavelmente pela integração com IA. A promessa está aí, e o Neon prova que a Opera não tem medo de experimentar. Porém, o resultado atual ainda mais parece um laboratório vivo do que um produto acabado.
Os testes mostram que o potencial é grande — um browser que lê, cria, decide e age pode realmente redefinir a forma como interagimos com a web. Mas, como acontece com quase todas as primeiras versões de produtos disruptivos, a execução ainda não convence. O Neon ainda se comporta mais como uma fusão de três experiências independentes do que como um ecossistema coerente.
O mais curioso é que, apesar de todas as críticas, ainda é impossível não reconhecer o mérito da Opera em inovar. O Neon é, sem dúvida, o browser mais ambicioso de 2025. É ousado, experimental e visualmente belíssimo. Mas o preço, aliado às falhas de coordenação entre IAs, tornam difícil recomendá-lo como alternativa diária ao Chrome ou Safari.
Portanto… será que o Opera Neon vale o investimento de 20 dólares (17 euros) por mês?
Depende. Se és um entusiasta de tecnologia, curioso com novas formas de interação homem-máquina, pode ser um investimento interessante para explorar o que o futuro reserva. Mas se procuras um browser eficiente, fiável e gratuito — o Neon ainda está longe de justificar o gasto.
A Opera mostrou coragem em lançar algo tão diferente, mas talvez tenha sido corajosa demais no momento em que o mercado ainda não estava pronto para pagar por um navegador. Ainda assim, fica a sensação de que, mais cedo ou mais tarde, este conceito vai amadurecer e marcar tendência.
Por agora, a melhor forma de definir o Opera Neon é simples: é uma janela para o futuro — cara, bonita e inacabada.