iRobot em bancarrota: o futuro da Roomba nas mãos da chinesa Picea Robotics

Pedro

Escrito por Pedro

16 de Dezembro, 2025

iRobot Roomba Combo

A iRobot, criadora dos famosos aspiradores Roomba, pediu insolvência (tal como já tínhamos adiantado) nos EUA, e planeia vender todos os seus ativos ao seu principal fornecedor, a empresa chinesa Picea Robotics. Se o tribunal aprovar o plano, a marca deve continuar a existir, mas sob novo “dono”.​

O que aconteceu à iRobot?

A iRobot entrou oficialmente em Chapter 11, o regime de proteção de credores nos Estados Unidos que permite à empresa reorganizar-se enquanto tenta sobreviver financeiramente. O plano em cima da mesa é vender a totalidade dos ativos à Picea Robotics, uma empresa chinesa que já é o principal fornecedor da iRobot.​

Segundo o comunicado, esta operação visa permitir que a empresa continue a operar normalmente, siga o seu plano de desenvolvimento de produtos e mantenha a sua presença global. Em vez de um desaparecimento imediato, a estratégia é mais uma “reinvenção” sob nova estrutura de propriedade.​

O que significa para quem tem um Roomba?

A boa notícia: a iRobot afirma que não prevê qualquer interrupção na utilização da app, em programas de cliente, nas relações com parceiros globais, na cadeia de fornecimento ou no suporte aos produtos. Em termos práticos, o teu Roomba deve continuar a funcionar como sempre, e consumíveis e peças de substituição deverão continuar disponíveis.​

Portanto, para quem já tem um aspirador iRobot em casa, neste momento não há motivo técnico para pânico. A transição está pensada para ser “invisível” para o consumidor final, se o plano avançar como descrito.​

E os investidores e funcionários?

Os acionistas com ações ordinárias de iRobot é que ficam a arder: a própria empresa admite que estes investidores deverão sofrer uma perda total, sem qualquer recuperação do seu investimento se o negócio for aprovado. Este é um cenário típico em processos de insolvência em que o comprador absorve ativos, mas não deixa praticamente valor para os acionistas antigos.​

Quanto aos trabalhadores, a empresa não especifica como a venda e a reestruturação vão afetar os empregos, tanto nos EUA como noutros países. Ou seja, para já há um grande ponto de interrogação sobre o impacto interno, mesmo que para o público a operação pareça “normal”.​

Como é que a iRobot chegou aqui?

O declínio acelerou depois de a Amazon ter abandonado a aquisição de 1,7 mil milhões de dólares, na sequência de ameaças de veto de reguladores europeus. Sem esse balão de oxigénio, a empresa avisou investidores em março de 2025 que tinha “sérias dúvidas” sobre a sua capacidade de continuar a operar.​

A isto juntam-se vários fatores:

  • Forte concorrência de marcas como Roborock e Dreame, que foram comendo quota de mercado, sobretudo depois da pandemia.​
  • Encolhimento do mercado de aspiradores robô, que já não cresce como antes e está mais saturado.​
  • Impacto das tarifas de 46% impostas por Trump sobre produtos fabricados no Vietname para o mercado norte-americano, onde a iRobot produz grande parte da sua oferta.​

Mesmo tendo renovado a gama com produtos como a série Roomba 105 Vac Robot e o Roomba Plus 505 Combo Robot + AutoWash Dock, isso não chegou para inverter a queda nas vendas.​

O que pode acontecer a seguir?

Se a venda à Picea Robotics for aprovada e concluída (a empresa aponta fevereiro de 2026 como objetivo), a iRobot diz que pretende “voltar em força”, com uma posição financeira mais sólida. A ideia é que esta injeção e mudança de controlo garantam continuidade para consumidores, parceiros e distribuidores, em vez de um colapso total da marca.​

Para já, tudo assenta em aprovação do tribunal e posterior execução do plano, por isso ainda há alguma incerteza. Mas o cenário mais provável é veres a marca iRobot/ Roomba continuar no mercado — apenas sob comando de um novo proprietário chinês e com bastante menos alegria do lado de quem tinha ações da empresa original.

Autor

  • Amante de tecnologia no geral e de wearables. Viveu o melhor dos dois mundos, do analógico ao digital. A utilização da Apple mudou a sua perspectiva pela tecnologia contudo ainda vive em vários mundos, android, Apple, Windows e Linux.